Entrevista | Antonio Carlos Viana

O João Cabral do conto

Em novo livro, Antonio Carlos Viana reafirma sua escrita concisa, emocionalmente contida, mas também cruel e forte, que lhe valeu comparações com o poeta pernambucano


Luiz Rebinski

Com 40 anos de vida literária e uma obra enxuta, Antonio Carlos Viana é candidato a se tornar um escritor (re)descoberto por um número grande de leitores em um futuro próximo. Ainda pouco conhecida fora do circuito literário, a prosa vigorosa e de extremo rigor que produz acaba de ganhar reforço: trata-se de Jeito de matar lagartas, sexto livro de um dos poucos contistas brasileiros que permanece fiel ao gênero.

Presente em seus livros anteriores com grande intensidade, o sexo na nova coletânea dá lugar a outros temas, como morte, solidão e velhice. A influência rodriguiana é nítida na galeria de viúvas criada por Viana. Mulheres que procuram os caminhos mais descabidos para aplacar a solidão da terceira idade, em geral em empreitadas mal-sucedidas, que trazem à tona o lado cruel da velhice.

O retrato impiedoso da torpeza do ser humano, uma das marcas de Viana, volta em contos como “Cara de boneca” e “Maria Montez”, ambos sobre inocência e perversidade. “Quando estudei teoria literária, aprendi que quanto maior é a inocência do personagem, maior é o trágico”, diz.

Na entrevista que segue, o escritor também fala sobre sua amizade com o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, o período em que morou na França e da concepção literária que empreendeu em sua obra desde o início dos anos 1970.
O conto-título do seu livro mais recente, Jeito de matar lagartas, destoa um pouco, tematicamente, da maioria das outras histórias do livro, que tratam de temas como solidão, medo da morte, etc. Mas, por outro lado, é um conto que tem uma estrutura onde você demostra uma técnica refinada de escrita: um personagem aparentemente secundário, que é citado apenas uma vez, no início da história, torna-se o protagonista ao final do conto, dando sentido à narrativa. Essa foi a razão para dar ao livro o nome do conto?
O nome do livro ia ser “Batata brava”, que é um conto que está no final do volume. Inclusive a Elisa von Randow, designer, gostou muito porque ia ser um título em que ela poderia brincar bastante na hora de bolar a capa. Aí o Paulo Henriques Britto, que é o primeiro leitor do que escrevo, foi ler os contos e me disse que tinha gostado muito da história “Jeito de matar lagartas”. Foi uma sugestão dele a mudança. Apresentei esse novo título para a Vanessa Ferrari, minha editora na Companhia das Letras, e ela achou que “Jeito de matar lagartas” era mais atraente, então acabou ficando assim. Como tem a palavra matar no título, e a morte está presente em várias histórias, isso acabou ajudando na escolha. Além de ser um título meio brincalhão, mas que tem o verbo matar no meio. O primeiro conto, “Muralha da China”, já fala da morte. Já esse conto a que você se refere, levei muito tempo para terminar. Achava-o meio infantil, terminava de um jeito que eu não gostava. Então fui retrabalhando- -o até que coloquei uma pitada de sexo e a história se resolveu. Aprendi com a escritora americana Carson Mccullers que,no conto, é sempre interessante quando o autor joga com um elemento que ninguém espera, que estava no começo da história e reaparece de surpresa. É o que acontece nesse conto, quando o personagem Laurentino reaparece para dar sentido à história.

O sexo é, talvez, o grande tema de sua literatura. Mas neste livro, a solidão parece predominar, não?
Escritor escreve sempre sobre as mesmas coisas. E solidão é um tema muito caro a mim. Assim como o sexo, a morte, sempre estou recorrendo a esses assuntos. Mas nesse livro acho que entrei em um território novo, que é o da velhice. Talvez pelo fato e eu estar vivendo essa fase da vida. Os meus colegas da Universidade envelheceram. E nas conversas que tenho com eles, sinto essa solidão, a vontade de ter alguém e não conseguir, apesar de o desejo não estar morto. Isso cria um conflito terrível. Você querer e o corpo não corresponder. Há sempre essa angústia sexual dos personagens, que pensam mais do que fazem.

Como nasceu a nova coletânea de contos?
Foi interessante a maneira como esse livro foi feito. Eu havia dito aos jornais aqui de Aracaju que não iria mais publicar. Aí, ano passado, eu estava em Curitiba e comecei a enviar uns contos para o Paulo Henriques. E ele foi pedindo para eu enviar mais e mais, porque achou que eu estava com um material bom, o que acabou me incentivando. Mas não havia um livro pronto. O que havia eram diversos textos que mantenho em um arquivo de ficção. Na época eu escrevia todos os dias, das 9h ao meio-dia.Então fui tirando esses contos e enviando pro Paulo e pro André, meu filho, que também é escritor. Juntei tudo e mandei para a minha editora, Vanessa, mas sem pretensão nenhuma, apesar da opinião do Paulo. Duas semanas depois a Vanessa me escreveu dizendo que havia gostado muito dos textos. Mas não chegou a falar nada da publicação. E eu deixei a coisa quieta. Tenho uma doença chamada mieloma, que afeta o sangue. A partir de maio de 2014, minha doença se agravou e acabei esquecendo do livro, porque a doença te toma tudo. Quando eu estava internado no hospital, disse a um amigo que só gostaria de estar vivo para ver meu livro. Em dezembro a editora mandou as provas para leitura, mas claro que não tinha condições, porque estava de cama, na base da morfina. Aí o André foi para o hospital e ficou lendo os contos que a editora achava que tinham uma ou outra revisão a fazer. Então o livro saiu em fevereiro deste ano. Como não havia gostado muito da primeira capa, tivemos que refazer, com uma foto que foi tirada do sítio onde passei a infância e fui alfabetizado, porque lá ficava também uma escola. E tem tudo a ver com a história das lagartas. Lá existia muita lagarta.

Um dos contos mais fortes do livro (“Cara de boneca”) é uma história de perversão em que meninos se aproveitam sexualmente de um homem aparentemente muito inocente. De onde tirou uma história tão cruel?
Ele me surgiu meio do nada. Eu estava assistindo ao programa eleitoral e tinha um personagem aqui em Sergipe que se chamava seu Lila. Achei que ficaria interessante em um conto um personagem com esse nome. Quando fui para o computador escrever, o programa não aceitou “Lila” e colocou acento, então ficou seu “Lilá”. Pensei, melhorou. A partir daí o conto me veio inteiro, com aqueles adolescentes que se valiam de um velhoe se achavam homens. Fato que, anos depois, quando essas crianças e jovens se encontram, já adultos, acarreta um sentimento de culpa, pois ninguém nem mesmo toca nesse assunto. É um conto forte e muito cruel. Quando estudei teoria literária, aprendi que quanto maior é a inocência do personagem, maior é o trágico. O seu Lilá é um inocente, pois se entrega para fazer o bem, mas os outros não veem dessa forma.

Sua literatura tem alto grau de erotismo, mas ao mesmo tempo é impregnada por referências religiosas. Esse aparente paradoxo é proposital?
A teoria do conto, para mim, é muito clara: onde não tem conflito é difícil haver um bom conto. O que vale para a ficção em geral. Nesse caso, quando o sexo aparece, vem junto um sentimento sagrado, religioso, que é de onde tiro o conflito da história. No livro novo, tem um conto que acho bem emblemático disso que estou falando, que se chama “Missa de sétimo dia”. É a história de uma velha prostituta. Ela morre e na missa de sétimo dia um de seus clientes vai à igreja. A família não queria a presença dele lá, porque isso recordava a ideia de que ela, a prostituta, não era tão santa quanto o sermão do padre dava a entender. Eu estudei em colégio de padre. Se formos psicanalisar o autor, isso viria à tona. Porque a ideia de sexo em um colégio religioso é sempre maldita. E durante muito tempo fiquei com isso na cabeça. Só que todas essas referências que tenho, transferi para as personagens. Creio que superei esses traumas incutidos pela educação religiosa. Não tenho mais nenhuma culpa. Demorei a me libertar, mas depois de uma terapia, melhorei. Sempre quis escrever contos eróticos, mas não conseguia, então fui fazer análise. Quando terminei de fazer análise, escrevi O meio do mundo. E eu mesmo me surpreendi com a carga de erotismo que havia represada em minhas histórias. E que eu não sabia.

Você estudou a poesia de João Cabral de Melo Neto, que era o antipoeta no sentido lírico, do sentimentalismo. Seus contos são sempre muito sucintos, dizem apenas o necessário para que a história seja contada. Consegue ver relação entre a sua prosa e a poesia de João Cabral?
No doutorado eu estudei a obra do João Cabral de Melo Neto, mas acho que minha literatura tem muita influência do Nelson Rodrigues, que estudei no mestrado. Herdei muito o humor do Nelson. Mas sou um leitor que gosta de tudo, principalmente de poesia. Talvez seja frustrado por não ser poeta. Fiz meu doutorado comparando as poéticas de João Cabral e Paul Valéry. Mas o que a poesia me deu foi o ouvido, o ritmo da prosa. Acho que é impossível escrever prosa se não tiver um ouvido bom. Pro ritmo, a cadência. Às vezes fico procurando uma palavra para um texto como se estivesse escrevendo um poema. Analiso a sonoridade entre essa palavra e as anteriores e posteriores. E também acho que a gente não se afasta muito daquilo que estuda. Certa vez o Paulo Henriques me falou o seguinte: “Acho que você é João Cabral do conto”. Pela secura, martelada das palavras. Pela busca da palavra contida, que não se derrama muito. E realmente sinto que isso é influência de João Cabral. E como estudei muito Paul Valéry, que é um poeta muito cerebral também, acho que os dois me deram essa carga de escrita em que a emoção pode nascer, mas ela nasce em um plano semântico secundário, nunca em primeiro lugar. Não há palavras líricas no meu texto.

Você foi professor durante muitos anos na Universidade e é um escritor que acompanha de perto o que seus pares estão escrevendo, ou seja, a literatura que é feita hoje. Como professor, conseguia levar a prosa e poesia contemporâneas para a sala de aula em um ambiente acostumado a debater quase que exclusivamente os clássicos?
Eu levava os autores mais modernos possíveis. Se eu levasse um Maupassant, por exemplo, junto ia um contemporâneo. Lembro de estudar com os alunos muito a Márcia Denser, o Marçal Aquino, o João Carrascoza. Sempre falava deles e achava que tinham um mundo a ser escrito. E não decepcionaram. Mas, conversando com colegas professores, eles me diziam que esse ranço com autores mais jovens surge do medo de apostar em determinados autores e eles não darem certo. Eles preferem ir nos clássicos para não errar. De repente você aposta em um autor e o cara simplesmente some.

Houve algum conflito entre o escritor e o acadêmico em seu período na Universidade?
A Universidade me deu muita coisa. Acontece que quando se entra na academia, dentro da gente, o crítico começa a brigar com o escritor. Dessa luta, um dos dois vai sair machucado. E isso foi um dos entraves por eu parar de escrever durante um longo período. Mal colocava uma frase no papel, eu já estava criticando a mim mesmo. Foi quando resolvi fazer o que meu terapeuta me falou, para eu ir em frente e esquecer o crítico que havia dentro de mim. Mas os estudos literários me foram de grande serventia na minha carreira de escritor, porque a partir desse conhecimento, passei a ter noção se o conto estava bem estruturado, se havia palavra sobrando ou faltando. Enfim, foi importante. Não abriria mão da teoria.

Nos últimos anos muito se falou no Brasil em termos como autoficção. Em uma entrevista, você disse que não consegue escrever sobre o real. De onde sua ficção sai?
Acho que é uma coisa mais técnica.Escrevo uma frase e analiso as possibilidades de explorá-la, como conflito. Às vezes essa frase fica quieta no arquivo uns três meses, mas inconscientemente eu fico trabalhando aquilo. Quando retomo o trabalho, parece que a história já estava pronta. Aconteceu isso com o primeiro conto de Jeito de matar lagartas, que se chama “Muralha da China”. Escrevi a primeira frase (“Nossa mãe tinha avisado: ‘Façam de conta que Lelo ainda está vivo’”) e guardei. Não sabia o que faria com aquilo. Até que um dia a história veio inteira.

No conjunto de sua obra, seus contos têm uma estrutura muito definida, não apenas em relação à extensão deles, mas também em como são executados, todos guiados pela ideia de síntese, que denotam um rigor grande na hora da escrita. Quando e como você definiu esse padrão para sua literatura?
Para mim, a teoria do conto é muito simples: ele precisa ter unidade de tempo, espaço e ação. Porque se você começar a dispersar muito a ação, o conto perde o que para mim é muito importante, que é a ação. A tensão tem que ser mantida a todo custo. Sempre digo que o contista não deve fazer o leitor respirar muito. Respira no começo e só solta o ar no final. Que ele seja levado pela força da linguagem. Por isso acho que o conto precisa ter, no máximo, seis páginas. Tudo que não for essencial, deve ser eliminado. A palavra certa é cortar. Quero que o leitor seja arrastado por um conflito, e tudo que não fizer parte desse conflito, é cortado.

De seus três livros mais recentes, Aberto está o inferno (2004) parece ser o mais erótico, e os dois livros subsequentes, Cine Privê (2009) e Jeito de matar lagartas (2015), mais afinados com uma crítica social e de costumes. Essa leitura faz sentido para você?
É interessante porque só agora, mais de 10 anos depois da publicação, as pessoas estão descobrindo este livro, Aberto está o inferno. Muita gente me escreve para falar sobre esses contos. Lembro que na época, quando a coletânea saiu, o Luiz Schwarcz implicou com o título, que é um pouco longo e invertido, com o sujeito depois do verbo. Tudo isso dificulta que a pessoa grave o nome. Desde os tempos em que morei na França e li o Livro de Jó, essa frase ficou na minha cabeça. Quando eu publicar um livro, o título vai ser esse, pensava. Aí juntei todos os contos em que as personagens estavam em situação extrema, e fiz o livro. Então o inferno está aberto para todos os personagens, por isso eu gostei do título. Mas hoje colocaria “Barba de arame”, que é um conto forte que está no livro. É a história de uma menina que é enganada por um homem que promete construir uma latrina em troca de sexo.

No final dos anos 1990, você começou a aparecer mais, após sua ida à Companhia das Letras. Como foi esse caminho?
Durante os anos 1990, parei de publicar ficção e me dediquei mais à academia, ao ensino de como ensinar redação. E depois publiquei o trabalho pela editora Scipione (Guia de redação: escreva melhor). Também parei de publicar porque estava muito decepcionado com as editoras. Em 1993 ganhei um prêmio no Rio Grande do Sul com a coletânea O meio do mundo, mas a edição que fizeram do livro era muito ruim. O livro era tão miserável, tão malfeito, que pensei: “Não quero publicar mais nada”. Foi quando apareceu a oportunidade de fazer uma coletânea com meus trabalhos anteriores, que acabou saindo pela Companhia das Letras. Devo isso ao meu padrinho lá, o Humberto Werneck. Foi ele que me apresentou na editora. Eu, sinceramente, já havia desistido de publicar.

O poeta e tradutor Paulo Henriques Britto é uma das pessoas para quem você sempre recorre quando vai lançar um novo livro. É o chamado primeiro-leitor. Como vocês se conheceram e que tipo de afinidade mantêm?
É uma relação interessante. Todo mundo se assusta um pouco quando falo, mas o Paulo foi meu aluno no Rio de Janeiro, no segundo grau. Nos conhecemos quando ele tinha 17 anos e eu 23. Ele já era um aluno brilhante, acima da média. Já havia lido quase tudo de importante. Ele me apresentou a livros de autores como Clarice Lispector. A partir daí começamos a trocar ideia sobre literatura e não paramos até hoje. Nunca nos perdemos de vista. Lembro quando ele foi morar nos Estados Unidos, ainda assim nos correspondíamos por carta. Ele mandava os poemas que fazia para eu ler, depois eu enviava meus contos. Até hoje é assim. Ele é um intelectual competentíssimo. A opinião dele vale muito pra mim. Por isso ele lê tudo que escrevo antes de publicar.

Você é um escritor que surgiu nos anos 1970, quando o conto dominou a literatura brasileira. Por que o entusiasmo com o gênero arrefeceu nas décadas seguintes? O que houve?
Na época havia muito incentivo ao conto, muitos concursos, por exemplo, o que despertou interesse, vontade de escrever, inclusive em mim. Comecei a escrever conto por causa dos concursos literários. Aí comecei a ganhar uns desses prêmios e achei que eu realmente era contista. Mas muitos pararam. Às vezes eu pego a revista Ficção e fico pensando onde foram parar todas aquelas pessoas que escreviam. Depois dos anos 1980, deu uma esfriada, nos anos 1990 a coisa melhorou e hoje eu percebo que o número de contista é que diminuiu muito. O que tenho lido de conto, como jurado de concursos, não tem me animado muito.

O essencial de ACV

O meio do mundo e outros contos

Com seleção e apresentação de Paulo Henriques Britto, a coletânea reúne histórias dos três primeiros livros de contos de Antonio Carlos Viana — Brincar de manja (1974), Em pleno castigo (1981) e O meio do mundo (1993) —, títulos que sofreram com a falta de distribuição, o que justifica a seleta, pois apresenta ao público um escritor talentoso até então pouco conhecido. Nessas histórias, Viana já empreende o padrão literário que reafirmaria em livros posteriores, como a concisão e o relato, muitas vezes devastador, de cenas cruéis do cotidiano.

Aberto está o inferno

Alguns dos melhores contos do autor sergipano se encontram nesta coletânea escrita ao longo de uma década. É o caso de “Barba de arame”, em que um homem promete a uma menina pobre construir uma latrina em troca de sexo, e “Ana Frágua”, relato de uma prostituta que transa com um jovem minutos depois de ter arrancado três dentes da boca. Tirado de uma passagem da Bíblia (“Aberto está o inferno e não há véu algum que descubra a perdição”), o título resume bem os eventos que envolvem os personagens dessas histórias que refletem de forma original a torpeza e crueldade do ser humano.

Cine Privê

Livro mais conhecido de Viana, Cine Privê dedica-se em grande parte à infância, com toda complexidade que essa fase da vida apresenta. Mas, como é comum em sua literatura, Viana mais uma vez é econômico até mesmo em histórias memorialísticas. Mesmo se atendo apenas ao essencial para empreender a narrativa, o autor revela uma gama imensa de detalhes ao leitor a cada conto. Destaque também para históras mais “pesadas”, como “Cine Privê”, em que um idoso ganha a vida limpando cabines de cinema pornô, e “Duas coxinhas e um guaraná”, sobre um rapaz que mata a própria mãe.

Jeito de matar lagartas

Mais recente livro de contos do escritor, traz 27 narrativas sobre sexo, morte e, principalmente, solidão. Viúvas, descasados e outros tipos solitários estão sempre à procura de alento para algum tipo de perda que tiveram ao longo da vida. Muitos deles na velhice. Viana mais um vez constrói histórias fortes que passam longe do pólen da pieguice.