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Depois da queda

Após um ano ruim, o mercado editorial brasileiro se prepara para um novo ciclo. Profissionais das principais editoras do país falam sobre as expectativas para o cenário literário em 2019

Mariana Sanchez

O ano que passou está fadado a entrar para a história do mercado livreiro no Brasil como “Uma temporada no inferno”, para citar o poema do Rimbaud. As principais megastores de livros do país, Saraiva e Cultura, acumularam dívidas de mais de R$ 300 milhões e tiveram de pedir recuperação judicial. Saldo: muitas incertezas, uma penca de livrarias fechadas e editores com “A faca no coração”, como o conto do Dalton Trevisan.

Neste cenário de terror, o que esperar do ano que inicia? O tradutor Daniel Dago, que todo mês de dezembro divulga sua famigerada lista de títulos prometidos pelas editoras para o ano seguinte, vem notando certa estagnação. “Outro dia a tradutora curitibana Denise Bottmann comentava que tem no mínimo seis traduções prontas, paradas nas editoras, sem previsão de lançamento”. O próprio Daniel tem cinco, entre elas a de Max Havelaar, de Multatuli — o principal romance holandês, a sair pela editora Âyine — e a de Sobre pessoas velhas e coisas que passam, de Louis Couperus, prometido pela Zouk. Daniel conta que, ao oferecer novos autores a certa casa editorial brasileira de médio porte, ouviu que não estariam contratando nada pelos próximos três anos e só publicariam o que já tinham na gaveta. “Mas agora até essa desova tem que ser peneirada, lançar só a aposta das apostas. Creio que esse será o clima editorial de 2019: apreensão e muita cautela, que se traduz em poucos lançamentos (entre recém- -contratados e contratados há tempos)”, opina.

Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM, admite que a crise de 2018 represou muita coisa, mas começa o novo ano otimista. “Até porque não tem como ficar pior”, brinca. Se em 2018 a editora soltou 50 títulos novos, em 2019 pretende dobrar esse número. Apesar de sentir o baque e amargar uma perda de 30% de seu faturamento com o calote das livrarias, a publicação de Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, ajudou a equilibrar as contas, com mais de 150 mil exemplares vendidos em 2018. Para Pinheiro Machado, a crise impulsionou a editora a buscar alternativas e “mecanismos de defesa”. A inauguração de uma livraria própria da L&PM em Porto Alegre, no mês que vem, é uma delas. “Não será um negócio, mas uma livraria pequena onde mostraremos nossos livros”, explica. 

Para uma editora com três mil títulos no catálogo — a metade ativa e com frequentes reedições —, é uma maneira de se tornar menos dependente dos grandes varejistas. “A Saraiva é líder absoluta de mercado aqui, mas é difícil ter nosso catá- logo exposto por complicações com fornecimento, já que os livros devem primeiro passar por São Paulo para depois serem distribuídos ao resto do Brasil. Ou seja: é mais fácil achar os livros que editamos da Martha Medeiros em São Paulo ou no Rio do que em Porto Alegre, onde estão baseadas a editora e a escritora”, compara.

     André Feltes

O editor Ivan Pinheiro Machado começou o ano otimista: no mês que vem a L&PM inaugura livraria própria em Porto Alegre. 

Já Thiago Tizzot, da curitibana Arte & Letra, acha que “2018 não foi esse horror que as duas redes de livraria e algumas editoras quiseram fazer parecer”. Para o editor, tudo indica que haverá mudanças na forma de se vender livro no Brasil, com um equilíbrio maior, e as editoras vão tentar aumentar seus pontos de venda — é o caso da Arte & Letra, que tem sua própria livraria. “Concentrar tudo em algumas redes não deu muito certo. Deve diminuir a consignação e a venda direta editora-leitor deve aumentar. Isso vai demandar um pouco de paciência e cuidado, mas não tem motivo para pânico”, diz.

Repensar estratégias de distribuição e apostar em iniciativas de venda direta foi um pensamento comum entre as editoras no fim do ano passado. “Mas é importante frisar que essa crise de fato não é uma crise do livro. Não percebemos um decréscimo nas vendas, foi realmente um problema do varejo. Então, precisamos de criatividade para buscar outros canais independentes destas livrarias”, considera Sonia Jardim, presidente do Grupo Record. 

Na Ubu, editora que em apenas dois anos de vida já lançou 50 títulos, independência passa necessariamente por um bom e-commerce. “Vínhamos da experiência bem-sucedida da Cosac Naify, uma das pioneiras em venda por site próprio no Brasil, então isso já estava no core-business da Ubu”, afirma Florencia Ferrari. Além de gerar relacionamento com sua comunidade de leitores, o site dá maior margem de lucro à editora, que aposta no livro como objeto de design e deve evidenciar este diferencial por meio de uma visualização detalhada. “Se nosso livro vira um thumbnail na Amazon, o leitor não pode entender o que ele é, nem por que custa mais”, explica.   

Hoje, 20% das tiragens da Ubu são vendidas no próprio site e cerca de 12% em eventos. “Temos quase 35% de faturamento controlado por nós, já que podemos fazer promoções online e aumentar os eventos, sem depender de um cliente que não paga e te deixa na mão”, avalia Florencia. A precaução tem fundamento: a editora tem R$ 150 mil a receber da livraria Cultura. 

Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, também vê na crise um momento de reflexão interna e revisão de práticas — ele cita iniciativas recentes, como o programa Companhia na Rua e o serviço direto de atendimento ao leitor via WhatsApp, que estreitaram o elo entre a editora e seu público —, porém, pondera: “Nós temos de estabelecer canais com o leitor, mas sempre com a clareza de que o mercado varejista é fundamental, sobretudo em um país de dimensões continentais como o nosso. Temos total consciência de que o livreiro é um parceiro indispensável, e de que sem um mercado saudável e dinâmico nós não existimos”. 

Otávio avalia positivamente a repercussão da carta aberta de Luiz Schwarcz, fundador da Cia as Letras, que em novembro de 2018 convocou os amantes dos livros a comprarem seus presentes de natal em livrarias — de preferência nas pequenas. “Notamos uma reação palpável dos leitores, que de fato encamparam a campanha. É cedo para dizer, mas pelos números deste fim de ano já sentimos uma reacomodação do mercado e um processo de recuperação até mais rápido do que esperávamos”, garante.

    Divulgação

Florencia Ferrari, diretora editorial da Ubu, que neste ano, entre outros lançamentos, vai publicar quatro obras políticas de Jean-Jacques Rousseau. 

Clima editorial
2019 é também um ano de mudanças vertiginosas no Brasil, com o novo governo eleito. “Há um inegável otimismo geral do mercado, e se a Bolsa sobe e o dólar desce, o negócio das editoras melhora, já que pagamos direitos autorais em dólar, o preço do papel sobe em dólar, etc. Mas, no plano ideológico, estamos absolutamente em desacordo com as políticas deste governo de extrema direita, o que é uma motivação até maior para publicar, pois a editora acaba virando um lugar de discussão e resistência à onda antiintelectual, anticonhecimento e antidiversidade que vem se instalando no país”, contesta Florencia Ferrari.

Ivan Pinheiro Machado lembra que fundou a L&PM nos anos 1970 para “fazer resistência democrática e provocar a ditadura”, mas vê o momento atual com certa tranquilidade. “A editora nasceu em um tempo em que os caras metiam o pé na porta e nos jornais não saía nenhuma linha. Enfrentamos uma ditadura pesada, chegamos a ter títulos apreendidos, mas hoje é diferente. Até que provem o contrário, estamos em uma democracia”, diz, defendendo que a editora não mudará sua pauta de publicações: poetas beatniks, obras transgressoras e clássicos canônicos seguirão recheando o catálogo da L&PM, como sempre. 

Com uma programação muito voltada a temas políticos, a Ubu vai publicar Depois do futuro, ensaio do italiano Franco Bifo Berardi, quatro obras políticas de Jean-Jacques Rousseau e uma coleção organizada por Vladimir Safatle com ensaios para pensar a democracia a partir de textos contemporâneos e clássicos inéditos, de autores brasileiros e estrangeiros. Outro projeto muito aguardado da casa é Popol Vuh, mítico livro da cultura maia que sai em mar- ço com cuidadosa tradução da paranaense Josely Vianna Baptista. Na extensa fortuna crítica do livro, um dos textos lembra que o Popol Vuh surgiu numa época de grande questionamento político dos povos originários no México, sendo, portanto, a reivindicação de uma voz e dos direitos indígenas — algo que dialoga com questões do Brasil contemporâneo.

“Acho que a nova situação política e social do país (e do mundo) está rendendo uma reação editorial. São muitos os lançamentos que discutem o fascismo, o fim da democracia, a reação ao movimento feminista, etc. E acho que a ficção deve refletir também esse quadro”, opina Fernanda Diamant, coeditora da revista de Quatro Cinco Um e curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano. 

Sonia Jardim, da Record, acredita que momentos de crise aumentam a demanda por autoajuda e desenvolvimento pessoal. “2018 foi o ano da não-ficção, tanto na autoajuda quanto no universo de livros políticos, impulsionados pela eleição. Acreditamos que isso se repetirá em 2019”. A Record anuncia para este mês a não-ficção Meu bloco na rua, da jornalista Rita Fernandes, que analisa a retomada carnavalesca no Brasil durante o período da redemocratização.  

Segundo Otávio Marques da Costa, “uma editora deve estar atenta para captar o espírito de seu tempo, e hoje vivemos um período muito conturbado, tanto na política quanto na economia. Então, é nosso papel produzir livros que de algum modo ajudem o leitor a entender e lidar com o presente”. A coletânea Democracia em risco? é um destes títulos: uma semana antes do segundo turno das eleições, a Companhia das Letras convidou 22 intelectuais brasileiros de renome para escrever análises sobre a ascensão de Jair Bolsonaro. O livro saiu em e-book no dia da posse do presidente e acaba de ganhar versão impressa. Uma extensa apuração de Malu Gaspar sobre o caso Odebrecht e uma biografia sobre o jornalista Samuel Wainer assinada por Karla Monteiro são outros títulos de destaque da Companhia, mas embora haja muita demanda de não ficção em 2019, a editora assegura que haverá bastante espaço para narrativas ficcionais, sobretudo de autores brasileiros.

O que virá
Ainda no primeiro semestre chega às livrarias o novo romance de Luiz Ruffato, O verão tardio (confira trecho inédito na página 26). O livro narra a história de Oséias, um homem que, depois de mais de 20 anos longe de Cataguases, sua cidade natal, decide voltar. “Será o primeiro grande romance brasileiro que a Companhia das Letras vai lançar este ano, mas haverá outros”, diz Otávio da Costa, referindo-se a Os dias da crise, de Jerônimo Teixeira, Controle, de Natalia Borges Polesso, Cancún, de Miguel del Castillo, o suspense psicológico Uma mulher no escuro, de Raphael Montes, e muito provavelmente o segundo volume da série O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum. A Companhia também lança este ano o novo livro de contos do carioca Sérgio Rodrigues, ainda sem título definido.

Também entre os autores nacionais, a L&PM lançará Crônicas anacrônicas e textos contraculturais, de Eduardo Bueno, um novo romance de Martha Medeiros e mais dois volumes do Teatro Completo de Hilda Hilst: O rato no muro, seguido de Auto da barca de Camiri, e A empresa seguido de O novo sistema

A curitibana Arte & Letra prepara um livro de contos de Paulo Venturelli, outro de crônicas do jornalista curitibano Cristiano Castilho e aposta em títulos estrangeiros como El ermitaño del reloj, da venezuelana Teresa de la Parra, Cacería, da argentina Maria Teresa Andruetto, e O diabrete da garrafa, de Robert Louis Stevenson.

   Reprodução

Nova invasão latino-americana: em 2019 autores como Julio Cortázar e Roberto Bolaño estarão nas prateleiras com reedições e livros inéditos. 

Na Record, que põe no mercado cerca de 40 novidades por mês, “bibliodiversidade” é o lema: “É preciso entender que livros best-sellers de autoajuda e desenvolvimento pessoal permitem que o Grupo invista em novos autores e em projetos de cunho mais experimental”, explica Sonia Jardim. De cada cem títulos da casa, 12 são de autores nacionais. Em 2019 estão previstos, já no primeiro semestre, novos livros de Nélida Piñon, Marina Colasanti, Fabrício Carpinejar, Marcia Tiburi e Everton Behenck. Também sairão reedições da obra de Graciliano Ramos, começando com Vidas secas e Angústia, seguidos de São Bernardo e A terra dos meninos pelados.

A editora Todavia, uma das que mais cresceram no ano passado — foram 52 títulos lançados em pouco mais de um ano de existência —, planeja cerca de 60 lançamentos para 2019. Entre os destaques estão a antologia poética da austríaca Ingeborg Bachmann, Memórias de um urso-polar, da japonesa Yoko Tawada, Sistema nervoso, da chilena Lina Meruane, e a nova tradução de Crime e castigo, por Rubens Figueiredo (a anterior, editada há quase 20 anos pela Editora 34, foi traduzida por Paulo Bezerra). “Dispor de várias traduções para um mesmo livro desta estatura é sintoma de vitalidade literária e editorial. Foi emocionante abrir o arquivo e ler as primeiras páginas deste Dostoiévski vertido com tanto cuidado, beleza e sapiência”, elogia o editor Leandro Sarmatz. A edição conta com uma elucidativa apresentação crítico-biográfica, mapas sobre a Petersburgo dos personagens e lista complementar de leituras em português sobre o livro e o autor russo. 

Em 2019, quase metade do catálogo será de autores nacionais, a exemplo do recém-lançado romance O quarto branco, de Gabriela Aguerre, de Sombrio, ermo, turvo, de Veronica Stigger, e da estreia do poeta e tradutor Guilherme Gontijo Flores na prosa de ficção, com Historia de Joia. “É uma espécie experimental de narrativa sobre um dia na vida de Joia, a começar pelo fim da tarde; porém quase nada sabemos da protagonista, porque os 22 capítulos são narrados por outras personagens, que têm interesses próprios”, adianta o autor. 

Gontijo Flores também assina, como tradutor, um dos lançamentos mais aguardados do ano: a obra completa de François Rabelais, incluindo não apenas os cinco romances famosos de Gargântua e Pantagruel, como também textos que permaneciam inéditos em português. “Rabelais, apesar de ser pouco lido no Brasil até hoje, é um dos gigantes da literatura ocidental; não deve absolutamente nada para Shakespeare, Cervantes, Dante e Camões”, defende o tradutor. O projeto, a cargo da editora 34, sairá em três partes (vol. 1, Pantagruel e Gargântua; vol. 2, Terceiro livro, Quarto livro e Quinto livro; vol. 3, Obras esparsas), a primeira prevista para os próximos meses. A editora 34 também promete uma nova tradução direta do russo de Anna Kariênina, de Lev Tolstói, por Irineu Franco Perpétuo. E fará a tão aguardada reedição de Malagueta, perus e bacanaço, clássico de João Antônio esgotado há anos.

Novas reedições
No terreno das reedições de clássicos, o argentino Julio Cortázar, que antes saía no Brasil pela Record, passa a ser publicado pela Companhia das Letras em 2019, ano que marca o 105º aniversário de nascimento do autor. A editora pretende reposicionar sua obra no país a partir de novas traduções, posfácios e projetos gráficos mais modernos e arejados. O jogo da amarelinha sai em março, na tradução de Eric Nepomuceno, mas outros 18 títulos estão previstos, entre eles a reunião inédita no Brasil de todos seus contos em dois volumes. As capas assinadas pelo quadrinista Richard McGuire devem atrair ainda mais os leitores jovens, público com o qual a obra cortazariana sempre dialogou muito bem.

O escritor Emilio Fraia, que é também editor da Companhia das Letras, revela que este será um ano forte de latino-americanos na casa, citando a publicação de A literatura nazista na América, do chileno Roberto Bolaño, o mítico O deserto e sua semente, de Jorge Barón Biza, e a inadiável chegada da contista argentina Silvina Ocampo ao Brasil, com seu livro mais emblemático, A fúria. “Acredito que esta será uma  das grandes descobertas do ano por aqui, uma daquelas autoras que ficaram à sombra e que tem tudo para ser lida e relida”, opina. Ainda na ficção estrangeira, devem aportar no catálogo da editora novos livros de Lucia Berlin, Javier Marías e Jonathan Franzen, assim como Maternidade, autoficção da autora canadense Sheila Heti sobre a opção de não ter filhos, e a premiadíssima HQ Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris. “Um livro todo feito com caneta esferográfica sobre uma menina de dez anos fissurada em filmes e revistas de monstro”, define Fraia.


Euclides, Lobato e Rosa

Mariana Sanchez

Três figuras canônicas brasileiras ganharão importantes reedições em 2019. Autor homenageado da Flip deste ano, Euclides da Cunha volta à cena com o volume Ensaios e inéditos, publicado pela Unesp. A Ubu irá relançar sua edição já esgotada de Os Sertões em dose dupla: box de luxo — que inclui o livro de 700 páginas mais um livreto com variantes e comentários da organizadora Walnice Nogueira Galvão, além de fotos raras do conflito de Canudos e reprodução das cadernetas de campo de Euclides da Cunha — e no formato brochura, bem mais acessível no preço. Para Fernanda Diamant, curadora da Flip 2019, “a obra euclidiana discute uma infinidade de temas relevantes para a realidade que o Brasil vive hoje, além de apontar para questões históricas fundadoras dos nossos problemas”. A partir do dia 1º de janeiro de 2019, a obra de Monteiro Lobato entra em domínio público e uma porção de editoras pretendem revisitá-la. A L&PM traz para sua coleção de bolso dez títulos emblemáticos do universo do autor ilustrados por Gilmar Fraga em edições acessíveis, enquanto a Companhia das Letrinhas, que pretende relançar a obra infantil completa do autor, solta este mês o fundamental Reinações de Narizinho em edição de luxo, com capa dura, ilustrações da artista Lole e organização de Marisa Lajolo, uma das maiores especialistas do país em Monteiro Lobato. Na editora Girassol, a Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, encontra a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, e na editora Moderna o escritor Pedro Bandeira pretende adaptar as histórias infantis de Lobato com certo filtro, “suavizando” passagens hoje consideradas racistas. 

A Cia das Letras estuda publicar também alguns títulos adultos de Lobato pelo selo Penguin, e promete duas biografias: a reedição da já consagrada Furacão na Botocúndia, de Vladimir Sacchetta, Carmen Lucia de Azevedo e Marcia Camargos (lançada em 1998 pela SenacSP, já fora de catálogo), e Reinações de Monteiro Lobato, biografia infantil escrita por Marisa Lajolo e Lilia Schwarcz, que deve sair agora em março.

Para completar a tríade, Guimarães Rosa ganha nova edição de seu Grande sertão: veredas pela Cia das Letras, que em 2019 concretiza um sonho de pelo menos duas décadas ao adquirir os direitos deste livro paradigmático da literatura brasileira. A obra traz ensaios críticos de Davi Arrigucci Jr, Paulo Rónai e Roberto Schwarz, entre outros, além de nova cronologia biográfica, caderno de imagens, capa inspirada em manto de Arthur Bispo do Rosário e desenhos originais do curitibano Poty Lazzarotto, que ilustrou as primeiras edições do livro.


Guimarães Rosa ganha nova edição de Grande sertão: veredas, com fortuna crítica e desenhos de Poty Lazzarotto. 

Em breve na estante

Além dos títulos citados na matéria, confira outros destaques já confirmados para 2019:

Correio literário, Wislawa Szymborska (trad. Eneida Favre, Âyiné)
Eles e elas: contos da Broadway, Damon Runyon (trad. Jayme da Costa
Pinto, Carambaia)
Querido Diego, te abraza Quiela, Elena Poniatowska (Mundaréu)
Tornar-se Palestina, Lina Meruane (trad. Mariana Sanchez, Relicário)
O arquipélago Gulag, Aleksandr Soljenitsyn (Carambaia)
Tudo tem a ver, Arthur Nestrovski (Todavia)
Biografia de Paulo Freire (sem título definido), Sergio Haddad (Todavia)
Ricardo e Vânia, Chico Felitti (Todavia)
A Triunfante, Teresa Cremisi (trad. Sandra M. Stroparo, Âyiné)
Sobre o mar guardado, as meias alugadas e Dona Manteiga, Aglaja Veteranyi
(Trad. Fabiana Macchi, Relicário)
Céu noturno crivado de balas, Ocean Vuong (Âyiné)
Verifique se o mesmo, Nuno Ramos (Todavia)
A carta (vários autores), ensaios sobre a Constituição (Todavia)
Se a rua Beale falasse, James Baldwin (trad. Jorio Dauster, Cia das Letras)
A luva ou KR-2 (Contos de Kolimá, vol. 6), Varlam Chalámov (trad.
Nivaldo dos Santos e Francisco de Araújo, Editora 34)
Meninas, Liudmila Ulítskaia (trad. Irineu Franco Perpétuo, Editora 34)
Revolução do Cinema Novo, Glauber Rocha (Editora 34)
Escritos corsários, Pier Paolo Pasolini (trad. Maria Betania Amoroso,
Editora 34)
Porca, Alexandre Marques Rodrigues (Record)
Escrever sem escrever: a literatura por meios de apropriação, Leonardo VillaForte
(Relicário)
Eisejuaz, Sara Gallardo (trad. Mariana Sanchez, Relicário)
Tiestes, Lúcio Aneu Sêneca (Trad. José Eduardo S. Lohner, Editor UFPR)
A menina que morava no chuveiro, Antonio Prata e Talita Hoffman (Ubu)
Coisas do Darma, Jack Kerouac (L&PM)
Maggie Cassidy, Jack Kerouac (L&PM)