Biblioteca Afetiva

Assim como para muitos leitores, Factótum, de Charles Bukowski, foi definitivo para mim. O desconforto da narrativa do Velho Safado me transformou. Citando Kafka, o livro funciona como um machado que quebra o mar de gelo dentro de nós. Bukowski foi o suficiente para me aventurar em outros autores e, a cada nova descoberta, descobrir que não sou o único no mundo a quebrar cada vez mais o mar congelado.

Lucas de Lavor cursa jornalismo e é estagiário do jornal Cândido.






Li o livro todo em movimento. Uma viagem de avião, algumas de táxi, caminhadas a pé e, por último, dentro de um ônibus que me trazia para Curitiba novamente. Dentro do veículo, lendo e olhando a paisagem passar, chorei copiosamente de alegria por existir. Só garotos, de Patti Smith, conta sua história de amor com Robert Mappletorphe e fala sobre viver na arte. Sobre viver. Sobreviver. Quando cheguei em casa, percebi que Só garotos só poderia ser lido por mim se estivesse me movimentando, mesmo que instintivamente. Porque o livro tem a pulsação de meu batimento cardíaco e porque eu sou só um garoto.

Fernando de Proença é artista e jornalista. Trabalha com criação de documentação artística e artes performáticas. Vive em Curitiba, entre apresentações teatrais e assessorias de imprensa.