Biblioteca Afetiva

A infância e a adolescência ficaram para trás, mas ainda carrego algumas lembranças daquele tempo. Recordo as longas tardes frias em que — sentado em uma das mesas da Biblioteca Pública de Lages (SC) — devorei (e isso não é um exagero!) os mais de vinte romances escritos por Karl May. Ao lado de Winnetou e Mão-de-Ferro, lutando contra forças que escapavam ao entendimento humano, me transformei no herói que não descansava diante das injustiças do mundo. Com qualquer um daqueles livros na mão, a vida era uma aventura.

Raul J. M. Arruda Filho é, antes de tudo, leitor. Doutor em Teoria da Literatura, é autor de três livros de poesia: Um abraço pra quem fica?, Cigarro apagado no fundo da taça e Referências. Publica no blog raulealiteratura. blogspot.com.br. Nasceu e mora em Lages (SC).


Um dos primeiros livros que li quando me mudei para Curitiba foi Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García Márquez. Na época, tinha 18 anos, sem saber ainda o que eram bons romances, e pouco afeito a livros mais consagrados. Me prendi tanto à trama que, conforme as páginas avançavam, eu diminuía o ritmo da leitura pra que o sabor do livro durasse mais tempo. Carregava por aí uma árvore genealógica da família Buendía para não me perder na trama e me aproximar daquelas pessoas de Macondo. Agora, já mais velho, volto a ler o autor em Notícia de um sequestro, sobre os problemas sociais e políticos da Colômbia. O Gabo jornalista aparece em contraste com o Gabo do realismo fantástico e consigo ver várias facetas do seu trabalho. Dois livros que marcaram minha formação, um saindo da adolescência, o outro saindo da faculdade.

Thiago Lavado é estagiário de jornalismo na Biblioteca Pública do Paraná e cursa o último ano de Jornalismo. Nasceu em Foz do Iguaçu e vive em Curitiba desde 2009.