Biblioteca Afetiva


Eu devia ter uns 13, 14 anos, não me recordo ao certo. Mas sei que tomei a decisão de ler um livro “sério”, além dos volumes da coleção Vagalume que já faziam parte da minha infância. Fui à Biblioteca Pública do Paraná e emprestei a Odisseia, de Homero. Lembro que era uma edição com tradução antiga, capa dura e costurada, páginas amareladas. Tive de renovar o empréstimo para dar conta do livro. Mas li inteiro e com um prazer imenso. Um prazer que nunca senti antes com uma leitura. Uma leitura sem obrigação que abriu os meus olhos para um mundo ao mesmo tempo antigo e novo, onde a filosofia, além da literatura, também está presente.

Fernando Ribeiro
é artista de performance e curador. Organiza o evento mensal p.ARTE — Mostra de Performance Art com Tissa Valverde. É curador convidado da Bienal Internacional de Curitiba 2013. Vive em Curitiba (PR).




Livros que abraçam a realidade sempre foram meus preferidos. Nesse sentido, Passageiro do fim do dia, romance do carioca Rubens Figueiredo, logo me conquistou. O fluxo de consciência do protagonista, que viaja de ônibus até a periferia de uma grande cidade após um dia de trabalho, traça um forte retrato da desigualdade social em que nosso país está mergulhado há 500 anos. Figueiredo cria passagens dramáticas e explora o medo que permeia a existência de quem mora na periferia, seja o medo da violência que aprisiona os moradores das favelas em suas casas, seja o medo do dinheiro do mercado não bastar para comprar a comida do mês.

Guilherme Magalhães é estagiário de jornalismo na Biblioteca Pública do Paraná e tenta dar conta da pilha de livros para ler, sempre maior que a pilha dos já lidos. Vive em Curitiba (PR).