FOTOGRAFIA | A primeira do filme 19/06/2026 - 12:49
Amanda Renally
Existe algo muito precioso na fotografia analógica: a imprevisibilidade e as imperfeições. Claro, digo isso do ponto de vista de quem não é profissional e dispara apenas por diversão. Mas acredito que o charme está justamente nesses dois fatores, somados ao tempo e à espera. É preciso gastar cada pose, enviar o rolo para o laboratório e aguardar o retorno para só então descobrir como esse experimento se concluiu.
Entre fotografar, finalizar as 24 ou 36 poses, mandar para a revelação e receber o resultado, o processo pode levar dias, semanas ou (como acontece frequentemente comigo) meses.
Por isso, quando o e-mail com as fotos finalmente chega, é um momento mágico. Ele se torna ainda mais especial se o rolo foi bem-sucedido (o que, para uma amadora como eu, significa ter acertado o básico: fotos que não ficaram nem sub ou superexpostas, e um número honesto de imagens nítidas). Mas a verdade é que tudo fica ainda mais bonito quando o arquivo já abre com um vislumbre da "primeira do filme".
Ela acontece porque a ponta do rolo fica exposta à luz na hora de carregar a câmera. Ao fazer o primeiro disparo, o quadro registra metade da imagem nova e metade do filme que já tinha sido queimado pela luz. Um encontro puramente químico e físico, confinado no primeiro frame.
Encontrar essas surpresas no rolo é sempre um presente. Estas são algumas das minhas "primeiras do filme" favoritas, capturadas ao longo dos últimos anos.
Todas as fotos foram feitas com a minha querida Canon AE-1, reveladas e digitalizadas pelo Lab:Lab Analógico.
Amanda Renaly (Barueri, SP), mora em Curitiba desde 2014. Formada em Relações Públicas com Mestrado em Comunicação e Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Possui múltiplos interesses, sem a pretensão (ou habilidade) de ser especialista em nenhum. Atualmente, trabalha no setor de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC-PR).


























