As quatro estações de Leminski
23/01/2018 - 11:20

Idealizada pelo selo Biblioteca Paraná, da Secretaria de Estado da Cultura, a coleção Roteiro Literário traz a cada título um ensaio inédito sobre a vida e a obra de um escritor paranaense já falecido, além de uma relação dos locais que ele frequentava. O primeiro livro da série, lançado em dezembro de 2017, trata da trajetória de Jamil Snege (1939-2003) e foi escrito por Miguel Sanches Neto. O próximo, assinado pelo poeta Rodrigo Garcia Lopes, resgata o percurso de Paulo Leminski (1944-1989) e tem previsão de publicação para o primeiro semestre deste ano. Leia a seguir uma prévia do material, selecionada pelo próprio autor — com imagens de Dico Kremer, fotógrafo curitibano que foi amigo de Leminski e registrou o seu cotidiano.


Rodrigo Garcia Lopes

A palavra roteiro vem de via rupta (via quebrada) e implica, em sua origem, uma ação de abrir um caminho à força. Traz o sentido de caminho batido, trilha aberta, atalho ou, entre nós, picada. Como um roteiro para o labirinto Leminski, eu lanço aqui, o mais cronologicamente possível, fios que podem ajudar o leitor a percorrer seu território mental. Quatro estações de uma vida-obra.

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   Fotos: Dico Kremer


Primavera
1944. Nasce em Curitiba a 24 de agosto, na maternidade Vitor do Amaral, no bairro Água Verde. Primeira casa, na Av. República Argentina, 1136, nas Mercês. Curitiba tem pouco mais de 140 mil habitantes. Leminski sempre valorizou a miscigenação de suas origens: pelo lado da mãe, Áurea Pereira Mendes, tinha sangue indígena (carijó), negro e português. Do pai, o sargento Paulo Leminski, polonês. 1949: a família se transfere para Itapetininga (interior de São Paulo). Em 1950, nova mudança para Itaiópolis (SC) e, depois, Rio Negro (PR, divisa com SC). Alfabetização, livros (influência do pai e avô), intenso contato com a natureza, o avô poeta, fascínio por dicionários, enciclopédias. Primeiro poema aos 8 anos, “O sapo”, cuja temática remetia à vida campesina e bucólica do interior do Brasil” [1]. Já este, “A tarde”, foi cometido aos 9 ou 10 anos, e vislumbra a futura pegada: “cai a tarde tristonha e serena / canta um grilo no muro / logo inicia a novena / sob a noite de luar puro” [2].1956: a famí- lia volta para Curitiba, depois de seis anos. Moram um tempo no bairro do Seminário e, depois, no Batel. Estuda no Colégio Paranaense e no Colégio Estadual do Paraná.

Interesse pela vida religiosa. 11 anos: aprendizado de latim, francês. Fevereiro de 1958: ruma à experiência breve mas marcante no Mosteiro de São Bento (São Paulo). Lições: a importância da disciplina, do silêncio, do estudo, da concentração. Prática de canto gregoriano. Começa a decorar poemas. A descoberta de René Descartes, leitura da obra completa do padre Vieira, Euclides da Cunha e, sobretudo, a poesia greco-latina (“clareza e saúde mediterrânea” [3]): Homero, Ovídio, Horácio, Catulo, Petrônio, impacto da forma breve epigrama e da poesia satírica. Começo de 1959: retorno a Curitiba.

Primeira metade dos anos 1960. Continua o aprendizado de línguas (francês, latim, inglês, grego, depois outras). 1963: passa em Direito e Letras (várias vezes), mas não conclui nenhuma das faculdades. Trabalha um tempo na livraria Ghignone. De 65 a 73 ganha a vida dando aula de redação, literatura e História em cursinhos pré-vestibulares (Abreu, Bardhal, Camões). Intensas leituras na Biblioteca Pública do Paraná. 1964: golpe militar, ditadura. Pouco depois, a descoberta seminal do haicai e sua síntese, do zen-budismo (o vazio zen, o espaço, o “satori” ou iluminação, a valorização do aqui e agora). Os quatro volumes Haiku, de R. H. Blyth (“meu livro de cabeceira há mais de 20 anos” [4]). O impacto fundamental da prática e da disciplina do judô (aos 23, integrava a seleção paranaense, foi faixa-preta e chegou a vice-campeão paranaense de 1967, peso médio). Leituras de D.T. Suzuki, Alan Watts. Outros autores: Shakespeare, Whitman, Poe, Freud. Descobre os formalistas russos, sobretudo o linguista Roman Jakobson e sua função poética da linguagem. A descoberta da poesia e das ideias de Ezra Pound (em livros como A arte da poesia e Abc da literatura), de quem extraiu parte importante de sua visão (“meu professor de poesia”). Em 63, o marco: participa da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Contato com a teoria e prática da Poesia Concreta e seu time da pesada: Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Pedro Xisto. A descoberta de Góngora, Guimarães Rosa, Sousândrade, Cruz e Souza, Oswald de Andrade, o Manifesto Antropofágico, a poesia pau-Brasil e os modernistas de 22. O impacto do poeta russo Maiakovski. Poesia no espaço. Ideograma. Militância na poesia concreta. Compreendeu, como bem resumiu Rosmarie Waldrop, que a poesia concreta foi, acima de tudo, uma revolta contra a transparência da linguagem, tornando “o som e a forma das palavras seu campo explícito de investigação” [5]. Em termos de Brasil, considerava a poesia concreta a grande revolução nas letras, ao lado da Semana de 22 [6]. Início de longa correspondência e troca de ideias com interlocutores como Augusto de Campos (as cartas permanecem inéditas). 1964: publica os primeiros poemas concretos (revista Invenção). Contato com as vanguardas, imersão no paideuma de Ezra Pound, além, é claro, no paideuma central herdado dos poetas concretos: Stéphane Mallarmé, Pound, James Joyce, e.e. cummings, Maiakovski, Arnaut Daniel, entre outros. A prática da tradução como crítica e laboratório textual, caráter de “recuperação da informação” (Bashô, John Donne, Mallarmé, Poe, Laforgue, poetas malditos franceses, etc.). O impacto de Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, Galáxias, de Haroldo de Campos e, sobretudo, Finnegans wake, para o desenvolvimento e expansão de “Descartes com lentes” (conto que deu origem ao Catatau). 1967: funda um movimento em Curitiba (Áporo, “para afastar a pasmaceira que reina na cidade”). Movimento contra o conto e contra Dalton Trevisan (“daltonismo”). Polêmicas locais. Poesia de fanopeia: um lance de imagens na imaginação visual (poesia no espaço, para o olho).

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Verão
Virada dos anos 60 para 70. Curitiba tem 642 mil habitantes. Geração 68, movimento hippie, o mundo da Guerra Fria, da ameaça do holocausto nuclear. A revolução dos Beatles. No Brasil, ditadura militar e censura. Com a explosão da contracultura, com os beats e hippies, o imperativo de mudar o mundo, rebeldia a padrões e autoritarismos, a caretice, a consciência de sua “marginalidade”. “Minha poesia aventureira tem um passado de freira e de puta.” A perfeição “das coisas feitas nas coxas”. Liberdade da linguagem. Frequenta a academia de judô Kodokan, no Centro. Caixa de Pandora: a boemia, a descoberta das drogas (maconha, álcool, LSD, anfetamina). “Vamos aos extremos mesmo porque, no final, quem tem boa cabeça vai se salvar”, escreve numa carta. Dá aula em cursinhos. 1965: muda-se para o edifício São Bernardo (R. Dr. Muricy, 839, onde morava também Helena Kolody). 1966: A intuição fulminante de Catatau, durante a aula que ministrava sobre as invasões holandesas no Brasil. 1968: publicação do conto “Descartes com lentes”, gênese do futuro “romance-ideia”. Nasce o primeiro filho, Paulo Leminski Neto (Lucky Leminski), de sua relação com Neiva de Souza. Campeonatos de Judô. Casamento e parceria com Alice Ruiz. 1969: nasce Miguel. 1971: nasce Áurea. O mergulho na experiência vertiginosa do Catatau, o projeto de sua vida (1966-1974), laboratório permanente de linguagem e experiência verbal. “Catatau é síntese”, considerava Leminski, “superação dos contrários. Corre como prosa mas usa os recursos próprios da poesia”. Política, movimentos libertários, expansão da consciência (Aldous Huxley, Timothy Leary). Segundo marco: o impacto da Tropicália e da MPB — Torquato Neto, Caetano, Gil. Chico Buarque, Milton e os mineiros. O jazz. A filosofia de Sartre e o existencialismo. Marx. Trotski. O cinema (no Brasil, Glauber Rocha). O movimento beat (Ferlinghetti, Ginsberg, Kerouac, Burroughs). Beatles, Bob Dylan e o rock de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane, Rolling Stones, Frank Zappa. Julho de 1969: temporada de um ano e meio no Rio de Janeiro — desbunde e jornalismo (trabalha no Correio da Manhã, Jornal do Escritor, O Globo, Revista Geográfica). Conhece José Louzeiro, Antonio Houaiss e Otto Mara Carpeaux. Leminski descrito por Luis Carlos Maciel como “o espírito ambulante da contracultura”. Vida comunitária. Mora no famoso Solar da Fossa. Retorno a Curitiba no fim de 1970. 1971: diz que agora seu barato é o “vanderground” (vanguarda mais cultura undergound) [7]. Mudança para casa nas Mercês (R. Armando Mann) e, depois, para a Brasílio Itiberê, perto do campo do Atlético. “Era um casarão pintado de amarelo, com fogão a lenha, amplos quartos e janelões de madeira.” [8] Criação 24 horas por dia. Parcerias musicais com A Chave e Blindagem. Ambição, talento e ego. Lucy in the Sky with Diamonds. Busca de uma síntese possível “entre relaxo & rigor”. Interlocução com criadores curitibanos como Solda, Retamozzo, Orlando Azevedo, Dico Kremer, Paulo Vítola, Rogerio Dias, Ivo Rodrigues, entre outros. Na sua poesia, a fanopeia (imagens, poesia para o olho) vai gradualmente dando lugar à melopeia: exploração da música das palavras, a canção (palavras postas em música). “Escrevia no espaço, hoje, grafo no tempo.” [9] 1973: morte do pai. Larga os cursinhos. Mergulho na publicidade e propaganda. O filho Miguel tem os primeiros sintomas da artrite. 1974: mudança para outra casa, nas Mercês, na esquina da travessa Amando Mann.

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Outono
De 1975 a 1989 — época da desova. O lançamento de Catatau, seu primeiro livro. “A mutação para a música popular”, investindo cada vez mais na canção, no cantabile. Influência do cartum, do humor. No Brasil, prossegue a ditadura militar. Muitas parcerias. Novas amizades. Colaborações. Viagens ao Rio, São Paulo, Bahia. Quando ia a São Paulo, visitas obrigatórias a Augusto e Haroldo de Campos. Desenvolve as teses da poesia-como-inutensílio e da “mística imigrante do trabalho”. Colaborações para revistas (Código, Polo inventiva, Raposa, Inventiva, Anexo). Contatos com a poesia marginal e com a “geração mimeógrafo”. Ensaios “ninja”. 1976: visita inesperada de Caetano e Gal. “Eu estava bebendo em casa — coisa que raramente faço — e parou um carro. Desceu um cara magrinho, cabelo em forma de coração e casaco de pele de cabra. Eu estava andando sobre o muro, baixo, de cimento — coisa que eu fazia quando estava muito bêbado, para testar os reflexos e manter a performance.” [10] Melhoras no quadro de saúde de Miguel. No mesmo ano, mudança para a famosa casa na Cruz do Pilarzinho (R. Jorge Cury Brahim, 874). Casa de madeira cor creme, no estilo colono polonês, uma varanda lateral, sótão, quintal, horta, fogão a lenha. No bairro, tradicional núcleo de imigração alemã e polonesa, era possível se avistar alguns campos e muitas araucárias. O novo quartel general, que não teria telefone até 1981, favoreceu intensas visitas e troca de cartas. A casa vira, assim como a segunda casa do Pilarzinho, um centro cultural, com muita festa e visitas ilustres (Jorge Mautner, Wally Salomão, Caetano Veloso, Paulinho Boca de Cantor, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Guilherme Arantes, entre outros). 1978: depois de um acidente, Leminski tem um diagnóstico de comprometimento do fígado.

Madrugadas frias e silenciosas, de muita criação. A busca pela irradiação, o fascínio pelos meios de comunicação de massa. Amplia seu público. Intensa colaboração para jornais, sobretudo Correio de Notícias. “A experiência com jornalismo cultural e contracultural me libertou dos vícios letrados.” A semiótica, de Charles Sanders Pierce. No começo de 1978 morre Áurea, mãe do poeta. Miguel é internado em maio. 30 de julho de 1979, o grande baque na vida do poeta: a morte do filho Miguel, aos 10 anos, de leucemia. 1979: passa 13 canções para Caetano. Gil aprende “Valeu” e “Mudança de estação”, para possível gravação em disco (o que não ocorreu). 1979 e 1980: Leminski fica dois anos sem ingerir bebidas alcoólicas. Bem antes do advento da internet, defende o que ele chamava de “humanismo informacional” (quanto mais informação, melhores os seres humanos se tornariam): “É preciso não acreditar que as pessoas vão ficar mais burras. Que irão perder a informação. Que saberão cada vez menos. Ao contrário”. Desenvolve a tese da pororoca, o encontro dos rios: a fusão da Tropicália com a poesia concreta. Verão de 1980: visita à Bahia, recepção calorosa por parte dos músicos (Moraes Moreira, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, A Cor do Som). 1981: nascimento da filha Estrela. Euforia. Caetano grava sua canção “Verdura”. “Promessas demais” vira abertura de novela da Globo. Veja pública a matéria “O brilhante maldito” em janeiro de 1982. Seu trabalho começa, finalmente, a repercutir nacionalmente. Tem músicas entre as mais tocadas das rádios (“Mudança de estação”, “Valeu”, “Promessas demais”). O acontecimento literário de 1983: a reunião de sua poesia em Caprichos & relaxos. Best-seller. O fenômeno Leminski. Reconhecimento nacional. Atuação no cenário nacional (Veja, IstoÉ, Folha de S. Paulo). Mergulho na tradução e nas biografias de Jesus, Trotski, Cruz e Souza e Bashô (mergulhos em si mesmo). Fascinação pelo grafite urbano. 1983: encontro e parceria com Itamar Assumpção. Janeiro de 1984: mudança para uma casa a duas quadras da primeira casa do Pilarzinho, na R. Antonio Cesar Casagrande, 97. Os anos 1984 e 1985 são de intensa atividade de tradução (Beckett, Mishima, Lennon, Fante, Ferlinghetti). Faz a trilha do especial infantil Pirlimpimpim 2, da Globo, com oito músicas em parceria com Guilherme Arantes (“Xixi nas estrelas” estoura nas rádios). Apresenta o projeto Leminski com vida, no Teatro 13 de Maio, abrindo espaços para talentos da cidade.

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Inverno
Fim de 86 / março de 87: finaliza Metaformose. 17 de dezembro de 1986: outro baque, com o suicídio do irmão, Pedro. A barra interna pesa. Pela primeira vez, segundo Alice, fala em morrer. 1987: “A pressa de viver como quem morre te faz ser outro. Um outro que eu não reconheço”, escreve Alice [11]. No meio disso, redação, sob encomenda, da incrível e engraçadíssima novela Agora é que são elas: “O romance não é mais possível. Agora é que são elas é um romance sobre a impossibilidade de escrever um romance” [12]. Resgate do simbolismo, vislumbrando um novo “estilo” de poema que ele chamou de “parnasianismo chique”: a determinação da indeterminação, rarefação ou desmaterialização do referente, a “criação de um mundo sígnico paralelo” [13]. A busca de uma “poesia básica. Elementar como um abc ou uma tabuada”. Uma poesia pensante, uma poesia de ideias. Logopeia: “a dança da inteligência entre as palavras” (Pound). Dezembro: escreve Metaformose. 1987: lança Distraídos venceremos. Crise no casamento. Primeiro diagnóstico de cirrose. 1988: separação de Alice. Parte para temporada “kamikaze” na selvagem São Paulo: oficinas, poemas (trabalha na organização de La vie en close), novas amizades, reencontros (Itamar, Haroldo de Campos, José Miguel Wisnik), experiência na TV Bandeirantes, “um milagre por dia”. Setembro: segundo diagnóstico de cirrose. “ópios, édens, analgésicos / não me toquem nessa dor / ela é tudo o que me sobra / sofrer vai ser a minha última obra”, escreve em “Dor elegante” (musicado por Itamar Assumpção). Escreve, aqui e ali, poemas que antecipam de maneira mais clara o tema da morte, a consciência do fim. Rio de Janeiro: com a nova companheira, a cineasta Berenice Mendes, visita Chico Buarque e Marieta Severo. Novembro de 1988: retorno definitivo a Curitiba. Sem lugar para morar, passa algum tempo no Hotel Elo (R. Amintas de Barros, ao lado da Reitoria). Muda-se com Berenice para a R. Duque de Caixas, 646, sua última casa. Reflexões sobre o mundo contemporâneo. Certa desesperança. “A barra pesou”. “O real é surreal”. Perguntado se ele havia deixado de “fazer chover em nosso piquenique” (em referência a um conhecido poema seu), responde, em uma de suas últimas entrevistas: “Não. Vou fazer chover na hora em que você menos esperar. Talvez nem seja chover, seja algo pior” [14]. Anima-se com a segunda edição de Catatau, marcada para 24 de agosto, seu aniversário. Escreve dois textos explicativos para a nova edição. Entre 7 de abril e 2 de junho de 1989 colabora semanalmente com a Folha de Londrina. Publica um ensaio, Nossa linguagem, sobre a linguagem curitibana. Morre em Curitiba, em 7 de junho de 1989, de cirrose hepática, no Hospital Nossa Senhora das Graças. Está enterrado no cemitério da Água Verde.

A ambição de Leminski era grande. Ele queria ser o maior poeta de sua geração [15]. E o foi. Em busca de sua dicção própria, a aventura épica pela poesia foi sintetizada, com sua ironia e brilho peculiares, num de seus poemas mais característicos:

um dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada

depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lorca um éluard um ginsberg

por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores 

Em 13 versos temos um percurso poético que é também o da poesia ocidental e brasileira. O reconhecimento, afinal, do “fracasso” da poesia ou da grata aceitação das coisas.

 

Rodrigo Garcia Lopes é poeta, romancista e tradutor. Escreveu Solarium, Visibilia, O trovador e Experiências extraordinárias, entre outros títulos.

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[1] O bandido que sabia latim, p. 26.
[2] Manuscrito presenteado à poeta e tradutora Josely Vianna Baptista.
[3] Envie meu dicionário, p. 193.
[4] Vida — 4 biografias (Companhia das Letras, 2013), p. 138.
[5] Perloff, Marjorie, em Unoriginal genius poetry by other means in the new century (University of Chicago Press, 2010) p. 59.
[6] Acervo Paulo Leminski, Entrevistas publicadas, p. 5.
[7] Jornal Aldeia (15/6/1971).
[8] Toninho Vaz, em O bandido que sabia latim, p. 150.
[9] Toda poesia, p. 251.
[10] Entrevista a Aramis Millarchi, O Estado do Paraná. Acervo Paulo Leminski, Entrevistas publicadas, p. 22.
[11] Em Memória de vida, jornal do evento Perhappiness, 23 de agosto de 1989, p. 31.
[12] Entrevista ao Estado do Paraná, 27/9/1988.
[13] Nicolau, jan. 1989, p. 8.
[14] Nicolau, jan 1989, p. 7.
[15] “Minha proposta é ser o melhor poeta de minha geração. Se não conseguir isso, falhei.” Entrevista a Aramis Millarchi, O Estado do Paraná. Acervo Paulo Leminski, Entrevistas publicadas, p. 21.

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