Caminhos do olhar
23/01/2018 - 11:30

Dez fotógrafos de diferentes gerações falam de seus processos artísticos e de sua atuação no Paraná

Paulo Camargo
Fotos Isabella Lanave

Não parece ter sido por acidente que a Casa Romário Martins, construção do século XVIII e imóvel mais antigo ainda de pé em Curitiba, tenha sido escolhida para abrigar a exposição Augusto Weiss — Pioneiro da Fotografia no Paraná. O espaço, que no passado já foi residência, armazém e até açougue, exibe, até fevereiro deste ano, 60 imagens produzidas pelo fotógrafo austríaco entre 1890, quando chegou ao Brasil, e 1950 (ano de sua morte). As fotografias integram um acervo muito mais vasto, composto por 3 mil chapas de vidro e que por duas décadas pertenceu ao fotógrafo Orlando Azevedo, curador da mostra. A coleção foi recentemente vendida ao Instituto Moreira Salles. Lá, diz Orlando, ficará em condições muito mais adequadas de acondicionamento e preservação.

As imagens que se veem sobre as paredes caiadas da Romário Martins, encravada no Largo da Ordem, Centro Histórico de Curitiba, impressionam os visitantes, que nelas embarcam como em uma viagem no tempo. Veem-se florestas de araucárias, muitas delas ainda quase intocadas, famílias de imigrantes italianos, poloneses e ucranianos, casarios de madeira, festas religiosas. Uma sociedade que se desenha ao longo dos anos diante das lentes de Weiss, um dos primeiros e mais significativos artistas da fotografia em Curitiba — onde essa forma de expressão chega ao século XXI se renovando e tomando diversos rumos estéticos e temáticos.

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   Imagem que integra a exposição Augusto Weiss — Pioneiro da fotografia no Paraná.


Dos açores
Um dos personagens dessa história é o próprio Orlando, que aos 68 anos vive hoje cercado de tudo que se refere à fotografia em um misto de casa e estúdio no bairro das Mercês. Naquele espaço, o que ele é e o que faz se confundem em um ambiente labiríntico, atualmente em reforma. Além de uma vasta biblioteca, forrada de títulos, alguns bastante raros, Azevedo mantém no imóvel o próprio acervo, que hoje conta com mais de 160 mil imagens. Ele gosta de dizer que seu destino rumo à América estava de alguma forma traçado já na sua terra natal, a Ilha Terceira do arquipélago português dos Açores. “Lá existe um monte chamado Brasil.”

Azevedo chegou a Curitiba ainda adolescente, em 1963, quando seu pai veio ajudar a implantar a Escola de Florestas e Agronomia da Universidade Federal do Paraná. Orlando voltou a Lisboa brevemente, em 1968, e tornou-se repórter fotográfico das revistas Azem Lisboa e Quatro Estações, para retornar em definitivo ao Brasil pouco depois. “Algo me chamava de volta.” E talvez não fosse ainda a fotografia.

Em 1969, foi um dos fundadores, como baterista, da banda A Chave, pioneira do rock paranaense. A formação contava com Ivo Rodrigues (vocais) e Paulo Teixeira (guitarras e vocais), ambos da formação original do Blindagem, além de Carlão Gaertner (baixo). Algumas das composições d’A Chave, que bebeu da fonte dos britânicos Rolling Stones e Led Zeppelin, mas também dos brasileiros Mutantes, tiveram participação nas letras do poeta curitibano Paulo Leminski. “Poderíamos ter sido um dos maiores grupos do país, mas algo não deu certo”, lamenta. O sonho acabou em 1979.

Leitor ávido, apaixonado por música e cinema, Azevedo conta que tem, há algum tempo, como hábito criativo, quase uma necessidade existencial, sair pelas ruas em direção ao Centro de Curitiba, em um percurso que não se altera muito. “Quando saio, sei que há uma foto me esperando.” É dono de uma obra vasta, complexa e multitemática, e repete, mais de uma vez durante a entrevista, que a foto que lhe interessa fazer “tem que ser cercada por um estado de perturbação” — e isso, para ele, vale para toda e qualquer expressão artística.

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   Orlando Azevedo: "Quando saio, sei que há uma foto me esperando".


E, por se julgar um criador plural, se vê hoje tão ou mais representado por heterônimos que criou para si mesmo, por inspiração do poeta Fernando Pessoa, seu conterrâneo e de quem é admirador confesso. Esses fotógrafos que o habitam se chamam Jacob Bensabat, batizado em homenagem a um antepassado cristão novo (de origem judaica), e Yuri Andropov. Enquanto o primeiro dedica-se a fotografar ruínas, o segundo volta seu olhar para formas abstratas que o autor enxerga no mundo.

Nessa complexa tríplice fronteira identitária, Azevedo, quando não está a fotografar como seus heterônimos, segue em sua busca documental de dar “voz ao outro”, como ele diz, por meio de um de seus formatos fotográficos prediletos, o retrato, recorrente em sua obra e tema do livro Mestiço, ainda inédito. São imagens de brasileiros de diversas etnias e regiões, que representam, segundo ele, esse imenso caldeirão de miscigenações que é o país.

 

Um outro olhar
O olhar oferece várias possibilidades quando se trata de fotografia na contemporaneidade. Milla Jung trouxe ao cenário curitibano uma mudança de ares em 2003, quando criou na cidade o Núcleo de Estudos da Fotografia, após uma temporada em Nova York (International Center of Photography) e Praga (Escola para Assuntos Fotográficos). A proposta, ela conta, era “criar interlocução”, e não apenas abrir mais uma escola com o propósito de repassar conhecimentos técnicos para formar mão de obra para o mercado comercial. Fazia-se necessário, àquela altura, um espaço de reflexão sobre a fotografia como forma de expressão artística, de experimentalismo — o que, segundo Milla, é ainda uma lacuna bastante evidente em Curitiba, que tem até hoje muito pouco espaço para a fotografia não comercial, “para além da preocupação estética”.

Defensora do sistema analógico (com a utilização de filme), porque enxerga o digital muito mais como vídeo, Milla alega preferir a qualidade à quantidade. Essa transição tecnológica, que tornou a foto analógica de certa forma obsoleta, foi um dos principais motivos pelos quais o Núcleo encerrou suas as atividades, depois de ter contado com a participação de fotógrafos importantes, como Luana Navarro, Rafael Bertelli e Lidia Sanae Ueta. “Tudo hoje é produzido em uma velocidade extrema, sem muita reflexão. A analógica demanda tempo para revelar, ampliar. O que se produz hoje aqui é muito para vender, e eu busco uma foto que pense o mundo, e não reproduza clichês de uma forma narcisista, individual.”

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Criador plural, Orlando Azevedo utiliza heterônimos para produzir imagens dos mais diferentes formatos fotográficos. Foto: Orlando Azevedo


Milla descobriu a fotografia aos 14 anos, durante uma viagem com os pais para Buenos Aires, no fim da década de 1980. Com a máquina nas mãos, percebeu que podia se expressar melhor por meio da imagem do que de outras formas, diante do clima estranho instalado na capital argentina, que estava em estado de sítio. Depois de sua temporada de estudos nos Estados Unidos e na República Checa, entre 1997 e 1998, retornou ao Brasil e, na Bahia, em 2000, quando se comemoravam os 500 anos do Descobrimento, dedicou-se a fotografar os índios pataxós.

Hoje mais próxima do universo das artes visuais, Milla diz que há algum tempo busca um afastamento de formatos expositivos tradicionais quando se trata de imagem. Na exposição Deserto de real (2009) apresentou uma série de fotografias, em diversos suportes, uma em cada sala, que remetiam à natureza, a partir de referências artificiais, deslocando objetos banais de seus sentidos comuns.

Já em Países imaginários (2010), Milla estabeleceu um jogo interessante com o público. Primeiro as fotos eram “ouvidas” e, depois, vistas. Na chegada, o visitante colocava um fone para escutar algumas narrativas. Depois, ao passar para a segunda sala, encontrava livros, escolhendo uma entre as 40 obras com imagens de fotógrafos famosos, como Diane Arbus, Robert Frank, Thomas Demand e outros. A proposta era relacionar as narrativas de áudio, que inspiraram a sua imaginação, com as imagens concretas encontradas nas obras.

Em 2014, Milla instalou no alto do edifício Nossa Senhora da Luz, na Praça Tiradentes, um letreiro em neon que dizia “Plas Ayiti” — “Praça Haiti” em créole, língua dos haitianos, que se reúnem em grande número naquele ponto do Centro da cidade. O intuito da obra era gerar primeiro estranhamento e, depois, pertencimento entre os imigrantes.

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Milla Jung: "Busco uma foto que pense o mundo, e não reproduza clichês de uma forma narcisista, individual".

 

Mulheres e uma nova geração
Se o austríaco Augusto Weiss e o catarinense Guilherme Glück (1892-1983) são com frequência citados como dois dos pioneiros da fotografia no Paraná, ninguém consegue apontar quem seria a primeira mulher a alcançar algum protagonismo na primeira metade do século XX. Para Milla Jung, o meio fotográfico sempre foi dominado por homens e essa invisibilidade, em certa medida, reflete um ainda detectável machismo na área. Mesmo no início dos anos 2000, quando se iniciaram as atividades do Núcleo de Estudos da Fotografia em Curitiba, ela percebia uma resistência à presença feminina e uma dificuldade de interlocução decorrente desse cenário.

As fotógrafas Vilma Slomp, hoje com 65 anos, e Lina Faria, 62, são consideradas desbravadoras e, assim como a própria Milla Jung, exercem influência sobre fotógrafas da novíssima geração em Curitiba, inspirando-as. Para Cicely Salamunes, 23, as imagens de Vilma para o livro Curitiba central, que reúne fotos registradas entre 1979 e 2013, foram bastante impactantes. “Essas imagens da Vilma me trazem resquícios de memória da minha infância, uma sensação de reconforto”, diz Cicely, para quem a fotografia, desde seus 13 anos, é um meio de expressão muito pessoal. “Sempre tive vontade de desenhar, mas não consigo. A fotografia foi uma forma de superar essa frustração e me expressar.”

O caráter subjetivo das imagens de Cicely, que prefere fotografar pessoas ao seu redor e com quem convive mais de perto, parece ser um traço recorrente entre fotógrafos de sua geração, mais interessados em mergulhar no seu entorno do que em estender seus olhares a instâncias que lhes são de alguma forma exóticas. A estudante de Arquitetura Mariana Moreira, 22, que como Cicely prefere a foto analógica à digital, também busca trazer para seu trabalho, muito focado no corpo humano e em sua expressividade, a preocupação de criar narrativas, estabelecendo uma linha muito tênue entre o documental e o ficcional, como se fosse uma escrita.

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   Foto de Milla Jung durante a ocupação de um colégio estadual em Curitiba (2016).


Para a jornalista de formação Isabella Lanave, 23 anos, o caminho que trouxe seu olhar e interesse para temas mais próximos foi mais longo e, de certa maneira, inconsciente. Apontada pela revista norte-americana Time como uma das 34 fotógrafas promissoras hoje em atividade ao redor do mundo, aos poucos foi se dando conta de que estava voltando suas lentes para realidades que diziam respeito “a um outro”, em processos que a foram deixando com uma sensação de desconforto. Em seu projeto atual, Fátima, ela fotografa sua mãe bipolar e nos conduz em uma imersão no seu universo mais íntimo e, também, de autoconhecimento. Isabella também é colaboradora da Helena e produziu as fotos exclusivas desta reportagem.

Walter Thoms, 27 anos, em um percurso não muito distante do trilhado por Isabella, desenvolve atualmente um trabalho documental cujo foco é alguém muito próximo: a avó materna, viúva, com quem vive desde que se mudou para Curitiba, há oito anos. São imagens do cotidiano, embotadas de afeto, que talvez seja o elemento fundamental do seu trabalho.

A família de Melvin Quaresma em Belém, no Pará, também foi um dos temas que o jornalista e fotógrafo escolheu, como uma forma de autorreconhecimento, uma vez que ele, os pais e os irmãos se mudaram para o Sul há muito anos. Nas visitas à terra natal, ele já fotografou muitas vezes o Círio de Nazaré, num exercício de aproximação de suas raízes ancestrais.

Assumidamente tímido, Quaresma diz que a fotografia lhe serviu como ponte de encurtamento de distâncias com o mundo. “Eu me sinto mais próximo das pessoas, menos acuado.” Seu projeto atual é uma série intitulada Circenses, resultado de um longo convívio com diversas companhias, sobretudo a trupe do Circo Zanchettini, que de certa forma também se tornou para ele uma espécie de família. “Às vezes vou lá e nem fotografo. É um lugar onde me sinto bem.”

Ana Paula Málaga, que também atua nas áreas de cinema e publicidade, vem desenvolvendo nos últimos anos projetos fotográficos de autorretratos, que também dialogam com a escrita e a literatura. Para ela, filha e neta de fotógrafos, a imagem se tornou muito cedo um meio de expressão de si mesma mais preciso do que quaisquer outros, uma forma de se colocar no mundo. Para a exposição Diário Externo (2016/17), Ana Paula, 31 anos, partiu de um mesmo dispositivo: produziu fotos de seu cotidiano e as enviou, impressas, pelo correio, a seis artistas que responderam com textos criados a partir contato com suas imagens.

Em seu trabalho atual, dentro do programa Residência Sem Licença, Ana Paula vem trocando cartas, imagens e fotografando a violeira Maria Dirce, de 69 anos, uma das protagonistas do documentário João e Maria (2016), do cineasta Eduardo Baggio. A aproximação com o “outro”, no caso Maria, não passa, assim, por conceder-lhe voz, mas por ouvi-la a partir de uma troca que também envolve a própria artista, que participa ativamente do dispositivo, se expondo, se revelando. O resultado será tanto a respeito de uma quanto sobre a outra.

Como Augusto Weiss, um imigrante que veia a Curitiba em 1890 para “fazer a América”, outros estrangeiros chegaram e continuam chegando a uma cidade e a um estado em constante transformação. É como se a a nova geração de fotógrafos seguisse seus passos, olhando para o mundo a partir de seus universos particulares.

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Representantes da nova geração da fotografia paranaense: Walter Thoms, Mariana Moreira, Melvin Quaresma, Cicely Salamunes e Ana Paula Málaga.

 

PAIXÃO DOCUMENTAL
João Urban, um dos nomes fundamentais da fotografia no Paraná, hoje mora em Recife, cidade natal de sua mulher, a artista plástica Jussara Salazar. A mudança de cenário, segundo ele, não lhe causou um estranhamento tão grande quanto se pode imaginar. Não se sente, de forma alguma, em terra estrangeira. “Já trazia o Nordeste dentro de mim. O cinema e a literatura o trouxeram há muito tempo, na juventude. Essas imagens fizeram parte da minha formação”, conta Urban, referindo-se ao Cinema Novo, de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, e aos escritos de tantos autores que leu, como Graciliano Ramos, João Cabral de Mello Neto e Ariano Suassuna.
Em entrevista concedida por telefone, ele conta que vem se dedicando a registrar, nesta sua temporada pernambucana, os ritos do candomblé, pelo viés da representação religiosa, uma de suas paixões, e também o maracatu, pela forma, movimento e som, em uma abordagem mais experimental.
Aos 74 anos, Urban, considerado um mestre da fotografia documental no país, diz que que, apesar de seu meio de expressão ser a imagem, nunca deixou de ter a literatura como principal referência. Seus ensaios fotográficos, por mais que sempre tenham veiculado temas sociais de grande potência, e consequente engajamento, no fundo sempre guardaram a vontade de narrar, contar histórias, como um registro de memória. Uma escrita imagética.
Ele recorda que, ainda adolescente, na casa dos pais, no bairro das Mercês, já começou a enveredar pela fotografia e, embora tenha se dedicado por muito tempo à imagem publicitária, de caráter mais utilitário, sempre ambicionou captar, com suas lentes, o real em projetos documentais.
Ele aponta como seu primeiro grande trabalho o livro Bóias frias, publicado primeiro na Alemanha em 1984 (e republicado em 1988, pela Fundação Cultural de Curitiba), resultante de uma longa empreitada, que se estendeu de 1977 a 1980, pelo interior do Paraná e sul do estado de São Paulo. “Com o fim da cultura do café, houve um imenso êxodo rural, com intensa migração de quase 3 milhões de pessoas. Grande parte tornou-se trabalhador diário, os chamados ‘bóias frias’, que quase não existem mais, ou foi parar na periferia das grandes cidades, transformando-se em mão de obra barata, ou catador de papel. Quis registrar esse processo.”
Urban nunca escondeu sua predileção por retratar as origens e raízes dos paranaenses, sobretudo da classe trabalhadora, rural ou urbana, assim como sua religiosidade e diversidade étnica. Tudo isso está presente nos livros que publicou.
Tropeiros (1992), conta Urban, é o resultado de um projeto de documentação, iniciado em 1980, do Caminho das Tropas, estrada que vai de Viamão, no Rio Grande do Sul, a Sorocaba, interior de São Paulo. “É a memória de um processo fundamental no desenvolvimento econômico e social do sul brasileiro.” De 1980 a 1988, ele dedicou-se a retratar imigrantes poloneses e seus descendentes que vivem em cidades paranaenses. As imagens, exibidas na Polônia, em 1987, foram reunidas no livro Tu i Tam: Poloneses aqui e lá, publicado em 1997. Aparecidas (2002), por sua vez, retrata a devoção e a peregrinação de romeiros à basílica de Aparecida do Norte. Em 2009, publicou Mar e mata — A serra, a floresta e a baía. Seus homens e suas mulheres, a respeito da Serra do Mar, e, em 2016, Passeio Público — Paisagens e personagens, cujo tema é o parque mais tradicional do centro de Curitiba.


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As fotos de João Urban retratam as origens, a religiosidade e a diversidade étnica dos paranaenses, especialmente da classe trabalhadora rural e urbana. Fotos: João Urban

 

NEGO MIRANDA
Indagado sobre qual fotógrafo mais o inspirou em seu trabalho, Nego Miranda, falando de Morretes, onde hoje passa a maior parte do tempo, não hesita: “Aprendi muito com o João Urban”, referindo-se ao amigo e parceiro em inúmeros projetos. Juntos, fizeram história na fotografia publicitária do Paraná, da qual Miranda é considerado um nome-chave (ao lado de nomes como Dico Kremer e José Kalkbrenner).
Mas a fotografia documental também está há bastante tempo na veia de Miranda, hoje com quase 72 anos. Por duas décadas, ele fotografou os trabalhadores da erva mate no que deu origem a um livro, Engenhos e Barbaquás (1998), com texto da jornalista Tereza Urban, irmã de João, morta em 2013. “É um projeto que tem muito a ver com minhas raízes familiares. Eu o dediquei a meu avô, Guilherme Xavier de Miranda, que tinha engenho de erva-mate na periferia de Paranaguá, em Alexandra.”
Outro trabalho de que se orgulha é o livro A Eterna Solidão do Vampiro (2010), ensaio que, segundo Miranda, traz à tona a Curitiba literária de Dalton Trevisan e seus textos. “Uma secretária do Chain [o livreiro Aramis Chain, amigo do escritor] encaminhou minha proposta, e ele concedeu permissão para eu fazer o livro.”
Sem nenhum projeto em vista no momento, Nego se despede dizendo que continua a registrar a natureza na região de Morretes. “Gosto muito de fazer fotografias de paisagens na horizontal, e de flores”, conclui.


 

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   Casa em Irati (PR) retratada por Miranda no livro Paraná de madeira (2005)
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   Barcos em Superagui, da série, ainda inédita, Serra e mar (2014). Fotos: Nego Miranda

 

Paulo Camargo é jornalista e professor universitário. Foi repórter, crítico e editor no caderno de cultura do jornal Gazeta do Povo. É um dos criadores do portal de jornalismo cultural A Escotilha.

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