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Os editores

Durante quase um ano, o jornal publicou, mensalmente, entrevistas realizadas in loco com profissionais do mercado editorial brasileiro. Batizada de Os Editores, a série teve uma repercussão tão positiva que acabou virando um livro, lançado pelo selo Biblioteca Paraná em 2018. Com texto de apresentação de Ruy Castro, o volume reuniu bate-papos com Luiz Schwarcz, Maria Amélia Mello, Plínio Martins, José Mario Pereira, Roberto Gomes, Jiro Takahashi, Ivan Pinheiro Machado, Luciana Villas-Boas, Eduardo Lacerda, Isa Pessoa e Jacó Guinsburg. Um verdadeiro panorama dos últimos 40 anos no cenário literário do Brasil.


  Daniel Ramalho

“O editor é um otimista. Se a pessoa não é otimista, não entra nesse negócio. Pensando em longo prazo, o editor brasileiro tem muitos motivos para ser otimista. Nenhum país do mundo tem um potencial de crescimento do mercado de livro como o Brasil. Os países europeus são, em média, pequenos. Os Estados Unidos já atingiram o auge e a China também está se aproximando do que pode ser o limite de seu público leitor. No Brasil, podemos agregar milhões ao mercado do livro. Basta ter escola decente. É necessária uma rede escolar.”

Luciana Villas-Boas na série Os Editores (edição 79, fevereiro de 2018)

   Daniel Ramalho

“Quanto mais se diz que o livro vai acabar, mais as pessoas parecem estar a fim de se tornarem editoras. É impressionante. Acho curioso porque é uma profissão que todo mundo associa ao glamour, à festa e ninguém sabe o trabalho que dá. É pedreira todos os dias. Seja para trabalhar com autor que já existe ou para descobrir um novo autor. Bom, o pessoal quer saber como é editar clássico ou como fazer para atrair a atenção dos leitores hoje, entre outras dúvidas.”

Maria Amélia Mello na série Os Editores (edição 81, abril de 2018)

         Andre Feltes

“Hoje, o nosso livro de bolso é aceito pelos grandes livreiros e pelo mais variado tipo de leitor. Outra coisa que nos orgulha muito: é que tu não imagina o que já ouvi de pessoas, de meninas e meninos, que chegam e dizem que o primeiro livro que leram foi da L&PM. Esses dias até me aconteceu isso. Eu estava numa livraria, na Saraiva, aí veio uma guria: ‘Tu é o cara da L&PM, né?’. Respondi que sim e perguntei por quê? Aí ela disse: ‘O primeiro livro que li fora da biblioteca do meu pai e da minha mãe foi um livro da L&PM’. Aí eu digo: ‘Porra, que livro foi?’. Ela fala: ‘Sem Plumas, do Woody Allen’. Isso é sensacional.”

Ivan Pinheiro Machado na série Os Editores (edição 85, agosto de 2018)

      Sergio Caddah

“Um bom texto é aquele que, internamente, articula a sua própria gramática. Cada texto tem sua gramática. Um exemplo disso é o legado do Graciliano Ramos. Há uma gramática em São Bernardo, outra em Vidas Secas e uma terceira, por exemplo, em Angústia. Cada livro parece ter sido escrito por um autor diferente. Alguém pode ler e gostar de Vidas Secas e considerar São Bernardo um livro mal escrito. De fato, alguns críticos consideraram São Bernardo, na época do lançamento, uma obra ruim e, posteriormente, a crítica se deu conta de que a gramática daquele livro é perfeita, única, do jeito que aquele texto foi escrito."

Jiro Takahashi na série Os Editores (edição 84, julho de 2018)