ESPECIAL | Prateleira 05/02/2026 - 15:58
Marianna Camargo
O jornal Cândido sugere alguns títulos lançados recentemente sobre o uso da Inteligência Artificial na literatura, incluindo autores que são os entrevistados da reportagem principal. Confira nossa seleção:
Instruções para um futuro imaterial
(Elefante, 2019)
Stefano Quintarelli
Stefano Quintarelli é um empreendedor e ativista italiano com mais de 25 anos de experiência no campo da computação e internet. Nesta obra, o autor rejeita a ideia de que existe um ciberespaço em oposição ao espaço real, como se um fosse imaginário e o outro, palpável. Pelo contrário, segundo Quintarelli, a revolução digital abre caminho a uma dimensão imaterial, fundamental para os indivíduos e determinante para o uso que fazem dos materiais, da energia e dos recursos bióticos de que dependem. A obra também mostra que as instituições das sociedades democráticas estão bem pouco preparadas para enfrentar os desafios impostos.
Testoste-TRIP
(Kotter, 2023)
Felipe Eduardo Lázaro Braga
Livro de poesia erótica e política feito em parte com o uso de IA. O autor desafiou o editor na época a descobrir quais foram os versos escritos por Inteligência Artificial – que estava em fase inicial de desenvolvimento, no final de 2022. Os textos vão "do poema-piada a Ferreira Gullar, do beatnik ao poema teatralizado, do Concretismo a South Park, sem descartar a ironia, a imagem e a narração".
Computer Love
(Lote 42, 2025)
Ian Uviedo [Ia & Ian]
O livro narra o diálogo do escritor Ian Uviedo com uma IA. O texto costura memórias afetivas e protocolos algorítmicos que refletem sobre os limites da subjetividade na era digital. Com projeto original criado em 2023, a obra foi realizada em conjunto com ferramentas de Inteligência Artificial e lançada em 2025 pela Lote 42. Esta edição existe exclusivamente em formato físico e com projeto gráfico que utiliza máquinas de costura Singer, criando um contraponto entre sua temática – necessariamente digital – e o seu formato artesanal.
Escrever é humano – Como dar vida à sua escrita em tempo de robôs
(Companhia das Letras, 2025)
Sérgio Rodrigues
Nesta obra, Sérgio Rodrigues se debruça sobre o tema da Inteligência Artificial generativa que torna possível a criação de textos, e questiona se a tradição da escrita literária pode desaparecer. O autor defende que escrever literatura é trabalho de gente, por mobilizar tanto a inteligência quanto outras dimensões da vida, como a intuição e o desejo, de acordo com a sinopse da editora.
A escritura e a arte na era da inteligência artificial
(Iluminuras, 2025)
Philippe Willemart
Philippe Willemart é professor titular em Literatura Francesa pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador de IA do CNPq.
Neste livro, o autor utiliza a crítica genética, e debate o impacto da escritura e das artes tanto em quem escreve como em que lê, sob a perspectiva do poder do cérebro – um impacto que os modelos de linguagem (IA) provavelmente nunca serão capazes de igualar, apesar de sua memória quase infinita –, conforme sua visão sobre o assunto.



