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Helena Kolody

Pouco conhecida fora do Paraná, mas celebrada por aqui, Helena Kolody (1912-2004) apareceu pela primeira vez no Cândido em outubro de 2011, na terceira edição. Na ocasião, o escritor Roberto Gomes, editor de vários livros da poeta, relembrou a amizade entre os dois, iniciada em 1965. Um ano depois, o jornal comemorou o centenário de nascimento da autora com um especial de 10 páginas que incluiu, entre outros conteúdos, a transcrição de sua participação na primeira fase do projeto Um Escritor na Biblioteca, em 1986. Em tempo: Helena também é o nome da revista de artes e ensaios da BPP, publicada desde 2012, e foi tema de um livro da coleção Roteiro Literário, editada pelo selo Biblioteca Paraná.

“Talvez a poesia de hoje solicite mais a cooperação do leitor. Antigamente, o que eu escrevia era reflexo da realidade. Depois, aprendi que o poema cria sua própria realidade, diferente da realidade prática, embora esta seja a base do poema. Não sei por que alguns acham minha poesia de agora mais difícil. Ela não é hermética; é até muito clara. Só é mais sintética, mais essencial.”

Helena Kolody, na transcrição de sua entrevista para o projeto Um Escritor na Biblioteca, em 1986 (edição 15, outubro de 2012)

A Lágrima

Oh! lágrima cristalina,
Tão salgada e pequenina,
Quanta dor tu não redimes!
Mesmo feita de amargura,
És tão sublime, tão pura             
Que só virtudes
exprimes
Ao coração torturado,
pela saudade magoado
Pelo destino cruel,
Tu és a pérola linda
do rosário que não finda,
Feita de tortura e fel.

Primeiro poema publicado por Helena Kolody, nas páginas da revista Garoto, na década de 1920, e republicado pelo Cândido (edição 15, outubro de 2012)


Weberson Santiago

“Estávamos na metade da década de 1980 e Helena escrevia desde os anos 1940. Fiquei pensando nisso. Há 40 anos ela escrevia e ninguém havia se interessado em editar seus livros. Pior ainda. Senti no ar alguma resistência de conhecidos ligados à literatura, tanto escritores, professores, como críticos literários. Para uns, Helena era apenas uma velhinha sonhadora e piegas. Uma dessas senhoras que fazem parte de academias de letras. A [editora] Criar iria perder dinheiro, advertiam. Por que não editar poetas mais jovens, gente de vanguarda, quem sabe um novo contista? Para dizer a verdade, lembro que, além de Hamilton Faria, só se entusiasmaram com a publicação anunciada o Paulo Leminski e a Alice Ruiz.”

Roberto Gomes, no artigo “Lembranças de Helena Kolody” (edição 15, outubro de 2012)