Estante | Monteiro Lobato


Urupês
Publicada em 1918, a obra reúne 14 contos de Monteiro Lobato, entre os quais a narrativa que empresta o nome ao livro. “Urupês” é o conto por meio do qual o escritor deu vida a um de seus personagens mais conhecidos, o caboclo Jeca Tatu: “Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem todas as características da espécie.” Conhecido até por quem não leu o conto, o personagem faz quase tudo abaixado, acocorado: come, bebe café e até tosta um cabo de foice. Apresentado praticamente apenas com características negativas, Jeca Tatu sempre agia a partir da lei do menor esforço. No entanto, apesar da suposta “facilidade”: “Só ele não fala, não canta, não ri, não ama. Só ele, no meio de tanta vida, não vive...”

O Saci
Monteiro Lobato estreou para o público infantil com A menina do narizinho arrebitado em 1920 e, devido ao sucesso da obra, decidiu investir em outro título. No ano seguinte, publicou O saci, que também alcançou êxito. Estudiosos comentam que, com este segundo livro, inspirado no lendário personagem de uma perna só, o autor inaugurou o cânone do folclore brasileiro. O renomado crítico Antonio Candido elogiou a narrativa lobatiana: “Encantado com a lenda do saci desde criança, a cada nova edição Lobato acrescentava e modificava episódios, incluindo outras lendas, como a da Iara, do Lobisomem e do Boitatá. Em sua versão definitiva leva a criança brasileira à poesia forte desta obra-prima que é O saci.”

O garimpeiro do rio das Garças
João Nariz é o personagem central do livro O garimpeiro do rio das Garças, que Monteiro Lobato publicou em 1924. A obra começa da seguinte maneira: “João Nariz ouvia sempre falar do rio das Garças e da enorme quantidade de diamantes que existe por lá. Esse rio fica no Estado de Goiás e atrai aventureiros de todas as partes do mundo.” O rio que está no título da obra fica em Mato Grosso, e não em Goiás, como o autor indicou por descuido ou, então, “licença poética”. Independentemente do detalhe, a narrativa se destaca por mostrar a movimentação do protagonista, que abandona a sua rotina para seguir em busca de diamantes. E será devido ao nariz, ou ao tamanho desta parte de seu corpo, que ele vai encontrar o que tanto estava procurando.


Reinações de narizinho
Não poucas vozes afirmam que, ao publicar Reinações de Narizinho (1931), Monteiro Lobato atinge a sua maturidade como autor de literatura infantil. Afinal, é nesta narrativa que o autor consolida o núcleo de personagens que iriam se perpetuar ao longo do tempo no imaginário brasileiro: Dona Benta, Narizinho, Pedrinho, Emília, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e Rabicó. O sítio do Picapau Amarelo estava, enfim, estabelecido como o cenário e, neste caso, como ponto de partida das histórias lobatianas. Temas como infância, família, leitura e escola estão nas aventuras desta obra, em que Narizinho se faz presente do início ao fim. É Lobato em um de seus melhores momentos.

Memórias de Emília
Um dos personagens mais fascinantes criados por Monteiro Lobato é Emília, a boneca de pano, feita a partir de uma saia da Tia Nastácia. Irreverente, livre, questionadora, uma espécie de alter ego de Lobato, ela tem até um livro autoral, as Memórias de Emília (1936). De acordo com os estudiosos, a obra tem entre outras marcas a metalinguagem. Mandona, Emília quer impor a sua vontade seja para escolher a diagramação do título, o papel para impressão, além, é claro, de obrigar o Visconde a redigir parte significativa da narrativa. Mas ela, sendo quem é, vai dispensar o Visconde e finalizar sozinha o registro escrito, afirmando-se ainda mais como Emília.

Monteiro Lobato, livro a livro (obra infantil)
Organizado por João Luís Ceccantini e Marisa Lajolo, e contando com uma equipe de pesquisadores e professores de várias instituições brasileiras, este livro ajuda a conhecer o projeto literário de Lobato voltado aos pequenos leitores. Cada capítulo é dedicado a um título infantil, com informações a respeito do lançamento, tiragem, reflexões sobre linguagem, ilustração e outras questões editoriais. “Uma das novidades deste livro é apresentar o percurso cumprido pela obra lobatiana — desde, muitas vezes, a discussão de seu projeto original até as alterações perceptíveis em sua diferentes edições”, explicam, os organizadores, no texto de apresentação.