Editorial - Cândido 93

Os mais de 150 anos que separam o clássico Crime e castigo (1866), escrito por Fiódor Dostoiévski (1821-1881), do leitor contemporâneo não enfraqueceram a capacidade da obra de incutir nos leitores interrogações relevantes a cerca de nossa existência. Pelo contrário, os anos parecem só fazer bem à obra, que ganha nova tradução diretamente do russo, assinada por Rubens Figueiredo (foto), que nos últimos anos verteu para o português clássicos de outro gigante russo, Liév Tolstói (1828-1910). 

Escrito durante um período conturbado do Império Russo, Crime e castigo acompanha a jornada turbulenta do protagonista Raskólnikov e sua tentativa de conviver com a pró- pria consciência após cometer dois assassinatos. 

Crime e castigo ainda tem muito a dizer sobre a forma como encaramos a justiça, a urbanização e as estruturas hierárquicas”, escreve o jornalista André Cáceres, que assina a reportagem que é destaque desta edição. Cáceres ouviu especialistas, que explicam o período histórico em que a obra foi escrita, o trágico pano de fundo que deu corpo ao romance e a razão de ele se manter tão atual.

    Kraw Penas


A edição também traz o primeiro capítulo da nova tradução de Crime e castigo, da editora Todavia, que chega às livraria em abril. “O livro, como é praxe na literatura russa, nos faz olhar para nós mesmos de uma perspectiva de largo alcance histórico”, diz Rubens Figueiredo, em entrevista para o Cândido. Durante o bate-papo, ele fala sobre os desafios de verter a obra e de como questões políticas e religiosas influenciaram Dostoiévski na escrita do romance.

Na coluna Pensata, a escritora e professora de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Maria Esther Maciel escreve sobre o realismo na literatura brasileira contemporânea.

Os três principais romances do autor norte-americano John Williams (1922-1994) — Stoner, Butcher’s crossing e Augustus — são tema de um ensaio assinado pelo escritor André de Leones. As obras, que têm em comum o fato de tratarem da “fragmentação do indivíduo frente à realidade”, segundo o ensaísta, trazem personagens que “cada qual a seu modo e conforme suas possibilidades, passam em revista o caminho percorrido, cientes de si e do que trilharam”.

O Cândido de abril ainda traz uma HQ inédita de Eloar Guazzelli, poemas de Alberto Lins Caldas e Amanda Vaz, além de conto de Carlos Eduardo Pereira. A arte da capa é de André Ducci.

Boa Leitura.