Cândido indica

Nova antologia poética (1966-2017)
Ruy Espinheira Filho, Patuá, 2018
Nesta coletânea, o baiano Ruy Espinheira Filho faz um amplo recorte de sua própria obra, que conta com dezenas de títulos e se iniciou em 1974, com Heléboro. Mais de 40 anos depois, Nova antologia poética (1966-2017) traz desde seus primeiros versos publicados em livro até os mais recentes, de Milênios e outros poemas (2016) e Noite alta e outros poemas (2015), passando por outros momentos de suas premiadas obras, como Memória da chuva (1996), que levou o Prêmio Ribeiro Couto, e As sombras luminosas (1981), vencedora do Prêmio Nacional de Poesia Cruz e Sousa.

O jogo da amarelinha
Julio Cortázar, Civilização Brasileira, 1999
(Trad.: Fernando de Castro Ferro)
A partir das andanças de Horacio Oliveira por Paris e Buenos Aires, o leitor se vê emaranhado num labirinto psicológico tão hilariante quanto melancólico, em que — como no jogo que dá título à obra — o objetivo é chegar ao céu. Na primeira parte, “Do lado de lá”, quem dá o tom da narrativa é Maga, que mantém um relacionamento esquizofrênico com Oliveira e acaba devastada por uma morte precoce. Na segunda parte, “Do lado de cá”, o protagonista regressa à Argentina e passa a conviver com o casal Manú e Talita. Em toda a obra, que ainda conta com uma terceira parte optativa, evidenciase um existencialismo que descamba para o nonsense, trazendo um protagonista que, sempre que possível, escolhe o absurdo ao choro frente à vida e seu despropósito.



O estrangeiro
Albert Camus, BestBolso, 2013
(Trad.: Valerie Rumjanek)
O romance mais conhecido do argelino Albert Camus conta a história do personagem Meursault, um homem indiferente ao mundo, que lhe parece tão sem sentido. No início, o protagonista vai ao enterro da sua mãe sem esboçar sentimentos. A partir desse fato, ele segue vivendo apático, com os dias passando pálidos debaixo do sol escaldante da Argélia. Certo dia, envolve-se numa confusão e acaba assassinando um árabe numa praia. Começa então a segunda parte do romance, onde se desenvolve o destino do protagonista, que segue indiferente ao próprio julgamento. Camus expõe, com uma escrita poética e natural, uma visão absurda do mundo, criando assim uma das obras mais intensas e pungentes da literatura moderna.

História de Joia
Guilherme Gontijo Flores, Todavia, 2019
Joia, uma mulher negra e batalhadora, é a protagonista deste que é o primeiro romance do poeta e tradutor Guilherme Gontijo Flores. O livro é dividido em 22 capítulos curtos, baseados nos arcanos maiores do Tarô, e narra um dia da vida de Joia a partir das mais variadas perspectivas. Ao longo da história, Gontijo experimenta muitas linguagens (indo, por exemplo, do rap ao fluxo de consciência, da acumulação caótica ao monólogo interior e da citação bíblica às colagens) e constrói uma história recheada de referências, que vão do erudito ao pop. Um livro fragmentado e aparentemente caótico, mas que no final entrelaça o leitor em um painel narrativo bastante interessante.