Biblioteca Afetiva

Os verbos auxiliares do coração, de Péter Esterházy, é um livro no qual o autor nos sensibiliza e quase nos desespera descrevendo de forma singular o definhamento e perda da própria mãe. Uma história arrebatadora, em que perdi o fôlego várias vezes e fiquei perplexa com algumas citações e trechos profundamente entorpecentes, como esse: “O tempo é uma bela mulher branca, cansada. Veja, estou aberta, feito uma ferida, estou me lamentando, gemendo. (...) Tão doce, que a qualquer momento poderia me apaixonar.” Por várias vezes fechei esse livro, deixei-o por último na minha pilha de cabeceira, por várias vezes perdi a coragem de encarar um fato que todos vamos ter de enfrentar um dia, ou numa terrível noite.

Maureen Miranda é atriz, diretora de teatro e artista plástica. Está à frente do Atelier Aberto, coordena a Cia de teatro Clepsidra e integra a Sutil Companhia, dirigida por Felipe Hirsch. Vai inaugurar a mostra Os 22 arcanos do tarô no dia 27 de novembro, no Quintana Café, em Curitiba. Vive entre São Paulo e Curitiba.



Tínhamos uma coleção da Abril em casa, e aqueles livros vermelhos me causavam algum tipo de inquietação. Não sabia direito onde estava me metendo, mas depois de emprestar muitas obras infantis na biblioteca da escola — A casa da madrinha, um livro de capa azul da Lygia Bojunga Nunes, foi marcante —, atendi à inquietação e encarei Dostoiévski, Guy de Maupassant e Oscar Wilde, isso com uns 12 anos. A roda gigante começou a girar. Dos grandes e inescapáveis, cito como afetivos o Jogo da amarelinha, do Julio Cortázar, O ateneu, do Raul Pompéia, e Cem anos de solidão, do Gabo. Dos pequenos e inesquecíveis: Livro, do José Luís Peixoto, e O diário da queda, do Michel Laub. E assim giro.

Cristiano Castilho é jornalista, editor do caderno “Gaz+”, da Gazeta do Povo, colunista do “Caderno G”, do mesmo jornal, e autor do blog musical “Pista 1”. Vive em Curitiba (PR).


Cuiabá, um milhão de graus. O calor distorcia o caminho e os mosquitos me devoravam. Nada pra fazer, lugar algum para ir, pedi para que me levassem em um sebo. Era na Rua Antonio Maria. Passeei entre os títulos furrecas sem me interessar por nada, até ver aquela lombada sem o nome do autor: Sangue sem dono. Vermelho e preto. Carmen da Silva, uma gaúcha que fugiu para o Uruguai para depois retornar ao Brasil e ajudar as mulheres a serem protagonistas de suas próprias vidas.
Gaúcha estugada, texto forte, uma voz incrível. Seis reais em um sebo, sem pechinchas. Primeira escritora por quem me apaixonei. Carmen era livre. Livre como ainda hoje poucas conseguem ser. Editoras, por favor, republiquem a Carmen, ela deveria poder ser lida por todos.

Clara Averbuck é escritora. Neste mês de novembro, relança todos os seus livros pela editora 7Letras, entre eles Máquina de pinball e Vida de gato. Também prepara a coletânea de contos Cidade grande no escuro e o romance Eu quero ser eu. Vive em São Paulo (SP).


O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi a obra mais importante que eu li. Além de ser um dos primeiros livros que tive contato, o que mais marcou foi o fato de ele se revelar diferente a cada nova leitura. Tive a oportunidade de ler em diferentes fases da minha vida e, a cada vez, ele apresentou um significado novo. Conhecendo a história, foi possível ver a importância de viver em união com a família, respeitar as circunstâncias da vida e entender que as coisas boas acontecem no tempo certo.

Noerli Cândido Cordeiro é funcionário da Seção Multimeios da BPP. Vive em Curitiba (PR)