Biblioteca Afetiva

A leitura que está guardada bem fundo no baú da minha memória é do livro O cachorrinho samba, de Maria José Dupré. As aventuras desse cachorrinho foram o primeiro livro que li para a escola. Éramos bem pobres e na nossa casa não tinha energia elétrica, daí, à noite, eu trazia uma vela para perto do livro e, então, aquela pequena fogueira, somada ao silêncio, conferia um ambiente perfeito para a imersão na história. E assim brinquei com Samba, me perdi na rua, fui aprisionado e depois voltei para casa com ele.

Henrique Rodrigues nasceu em 1975 no Rio de Janeiro (RJ), onde reside até hoje. É mestre e doutorando em Literatura pela PUC-Rio e trabalha na coordenação de projetos de educação e cultura. Participou de diversas antologias e é autor do livro A musa diluída (poemas). Organizou, entre outras, a antologia Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados nas músicas da Legião Urbana.


Li O livro das ilusões, romance de Paul Auster, integralmente em viagens de ônibus. Trabalhava no Bacacheri e estudava no Campo Comprido [ambos bairros de Curitiba]. Na hora e meia do trajeto diário mergulhei na narrativa sobre um acadêmico que, após perder a família em um acidente aéreo, tenta retomar a vida escrevendo uma biografia sobre um obscuro ator e diretor do cinema mudo. Investigando o personagem a partir de sua obra, percebe que aquilo que chamamos de realidade é apenas uma forma diferente de ilusão. É a impressão que tenho quase dez anos depois da leitura, quando lembro de mim mesmo enquanto estudante contemplando o entardecer curitibano pela janela do ônibus, entre um capítulo e outro.

Osny Tavares, 27 anos, é jornalista. Desde 2009, trabalha como repórter na Gazeta do Povo. É autor do livro-reportagem A quatro punhos, sobre o casal de boxeadores Macaris do Livramento e Rosilete dos Santos. A obra está prevista para ser lançada em março, pela editora ComPactos. Vive em Curitiba (PR).