Biblioteca Afetiva

Quando criança, lá por volta dos 7 anos, costumava frequentar a casa de uma tia para brincar com meus primos. Sempre quando ficávamos dentro de casa por conta da chuva, costumava mexer nos discos e nos livros, até que um dia notei que dois deles “passavam” na televisão. Um era “A história sem fim”, de Michael Ende e o outro era “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry. Folhei um pouco e vi que eram de fatos histórias semelhantes e resolvi lê-los. Até hoje não consigo mais ler um livro sem me imaginar “meio” Bastian, entrando dentro de cada uma das histórias.

Manolo Neto é mediador de leitura na Fundação Cultural de Curitiba e dj na noite, residente do Bar do Simão. Vive em Curitiba, coincidentemente numa rua que leva o nome de “Travessa dos Editores”.




Primeira relação afetiva com um livro: Espumas flutuantes, de Castro Alves, o poeta que li na escola rural da minha infância e que, a partir daí, era quem eu queria ser, quando crescesse. Ao longo do tempo, outros poetas passaram a contar com o mesmo afeto, como Maiakovski, de quem destaco o longo poema “A flauta vertebrada” (“Memória, junta na sala do cérebro as inumeráveis bem amadas/ que de passadas núpcias a noite se paramente”). Em ficção, junto o conto “As margens da alegria” (“era uma viagem inventada no feliz”), de Guimarães Rosa. E fecho com um romance: Memórias póstumas de Brás Cubas. Vamos ler, gente boa.

Antônio Torres é baiano e autor dos livros Essa terra e Um cão uivando para a lua. Vive em Petrópolis (RJ).