Apresentação

Tema do especial de capa desta edição, o norte-americano Mark Twain (1835-1910) é um daqueles artistas responsáveis por abrir caminhos. No campo da linguagem, mostrou aos compatriotas que era possível escrever com sotaque próprio, sem formalidades e ­livre da influência britânica. ­Também questionou a ética de seu tempo, fazendo seus leitores repensarem os valores impostos pela lei e pelas instituições. Não à toa, é considerado o “pai da literatura americana” e autor do “maior romance americano”: As Aventuras de Huckleberry Finn (1884).

O livro acaba de ganhar uma nova edição brasileira, da Zahar, a primeira que “faz jus ao original”, como afirma o jornalista Irinêo Baptista Netto, autor do texto principal deste número. Ele explica essa diferença, entrevista o tradutor José Roberto O’Shea (também conhecido como um dos grandes especialistas em Shakespeare no país) e ainda resgata a trajetória pessoal de Twain, tão rica quanto as histórias que ele criou.



Outro autor-desbravador que volta às livrarias em nova tradução é o argentino Julio Cortázar (1914-1984). Reeditado pela Companhia das Letras, o romance O Jogo da Amarelinha (1963) deve encantar mais uma geração de leitores brasileiros com sua combinação de experimentalismo, humor e poesia. O repórter Jonatan Silva conversou com o tradutor Eric Nepomuceno, que já verteu para o português obras de alguns dos maiores nomes da literatura latino-americana. Nepomuceno, também jornalista e escritor, falou sobre sua amizade com esses autores, a distância cultural entre o Brasil e o resto do continente e, claro, o desafio de traduzir um livro tão inventivo e original.

O Cândido 98 ainda traz um artigo do tradutor e professor da UFPR Rodrigo Tadeu Gonçalves na coluna Pensata, HQ de Pryscila Vieira, poemas de Ana Farrah e Bruna Kalil Othero e narrativas de Micheliny Verunschk, Lisa Alves e Márwio Câmara. Todas as ilustrações deste número são de FP Rodrigues.

Boa leitura.