Especial do mês: Distopia à brasileira
27/08/2020 - 10:50

Como a literatura antecipou, retrata e reage à situação crítica em que o país se encontra

Yasmin Taketani

 

Dados maquiados, corrupção, destruição do meio ambiente, milícias armadas cooptando o poder. Nos anos 1970, Ignácio de Loyola Brandão escreveu sobre uma grande distopia brasileira em seu livro Não Verás País Nenhum. Hoje, aos 84 anos, ele conta que foi influenciado pelo noticiário da época — a constatação do quão absurda é a própria realidade libertou sua imaginação e sedimentou seu gosto por “pirar”. (Uma frase clássica do autor é: “A fantasia te ajuda a suportar a vida”.)

Não havia nenhuma intenção “premonitória”, nem mesmo uma intuição de que as coisas poderiam se desdobrar dessa forma, por parte de Brandão. Mas se desdobraram, em vários âmbitos. A literatura de ficção previu, então, os temores de parte da sociedade com as consequências do chamado “bolsonarismo”? Essa é a avaliação da historiadora e cientista política Heloisa Starling, que afirma que suas próprias áreas de atuação falharam em antever esse fenômeno, mas que obras de ficção foram capazes de perceber seus elementos fundadores.

“Nós revimos a literatura toda na ciência política, na sociologia, na História”, conta Heloisa, sobre os livros que pautaram a escrita de Brasil: Uma Biografia, publicado 2015, em coautoria com a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. “Não tinha ninguém dizendo ‘tem um problema aqui’. Não: a democracia estava consolidada no Brasil.”

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Heloisa Starling assina o livro Brasil: Uma Biografia (2015), em coautoria com Lilia Schwarcz. Foto: Divulgação

 

Estamos matando todos os bichos, nem tatu aguenta, várias raças já foram extintas, 1 milhão de árvores são derrubadas por dia, daqui a pouco todas as jaguatiricas viraram tapetinho de banheiro, os jacarés do Pantanal viraram bolsa e as antas foram comidas nos restaurantes típicos, aquele em que o sujeito vai, pede Capivara à Thermidor, prova um pedacinho, só para contar depois para os amigos, e joga o resto fora.

Trecho de “Intestino Grosso”, conto de Rubem Fonseca

O grande contista da nossa realidade capturou, segundo Heloisa Starling, o “coração das trevas” que existe como fundo recessivo da sociedade brasileira. Já nos anos 1970, seus personagens diziam, figurativamente: “Eu não sou cidadão, eu sou engenheiro, melhor que você”.

A historiadora faz conexões interessantes para justificar sua análise: o crítico literário Stephen Greenblatt, estudioso das obras de Shakespeare, nos lembra que é preciso que exista, na sociedade, quem apoie a ascensão do tirano (o viabilizador cínico). A estupidez, me disse um entrevistado, não brota do nada. Então, segue Heloisa, é preciso olhar para essa sociedade — e não tanto para as instituições que estavam sendo avaliadas como sólidas. “E a literatura viu isso, não porque ela é profética, mas porque talvez ela veja o que está ao lado, aquilo que ainda não é: os possíveis de um determinado momento.”

Em um ensaio publicado em 2019, na revista Serrote, Heloisa já apontava para esse caminho: durante as últimas eleições presidenciais norte-americanas, marcadas pela ascensão de Donald Trump, livreiros de Washington se organizaram para levar aos leitores obras que mostrassem como seria perder a democracia — ela era, afinal, um valor tão intrínseco, tão próprio da cultura do país que isso não passava pelas mentes das pessoas.

As obras escolhidas pelos donos de livrarias para provocar os leitores eram: 1984, de George Orwell; O Conto de Aia, de Margaret Atwood; Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Todas obras de ficção, que mexiam com a imaginação do leitor. À exceção de uma: Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt

 As quatro primeiras obras, curiosamente, entraram para as listas de livros mais vendidos no Brasil de 2019 para cá, segundo levantamento da própria Heloisa. Estamos buscando os conhecimentos possíveis deste momento tão difícil de apreender? Afinal, trata-se de uma crise sem precedentes no país. “Uma crise profunda que é, ao mesmo tempo, política, econômica, da moral e da saúde”, de acordo com Lilia Schwarcz.

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A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. Foto: Divulgação

 

Criando um pacote de bondades, o presidente atual deu um indulto (imediatamente rotulado de insulto pelos íntegros, que ainda sobrevivem) de Natal, colocando nas ruas centenas de corruptos que já saíram do país legalmente. O presidente recebeu milhares de garrafas de vinho Petrus, cujo preço de mercado hoje é de 42 mil reais, ou seja, 10 mil dólares a unidade. Distribuiu aos Astutos e garantiu a cumplicidade.

Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra Sobre Ela, de Ignácio de Loyola Brandão

Quatro décadas depois de escrever Não Verás País Nenhum, Ignácio de Loyola Brandão voltou a “prever” o nosso futuro, desta vez a mais curto prazo e motivado pelos escândalos de corrupção e pela perda de sentido das palavras. Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra Sobre Ela (2018) mostra um futuro em que uma peste destrói a vida, todos recebem uma tornozeleira eletrônica ao nascer, os ministérios da Cultura, Educação, Direitos Humanos e Meio Ambiente foram extintos e política virou sinônimo de “sem moral e ética”.

“É para mostrar a desumanidade”, justifica o autor sobre o uso dessa imaginação exacerbada. “Para mostrar: com falta de consciência, com falta de ética, com corrupção — com tudo isso, aonde vamos chegar? Vai existir um povo brasileiro se continuar essa pandemia moral?” A epígrafe de Euclides da Cunha para o romance acende o sinal amarelo: “E a vida normalizara-se naquela anormalidade”. (Seria a tolerância pelo intolerável um traço nosso?)

Brandão, contudo, tem uma visão que se pode chamar de otimista. Se ontem os escritores viviam em uma redoma, na sua avaliação, hoje eles viajam e escrevem sobre o nosso país, ajudam na formação de leitores e são capazes de transformar mentes. “Se eu mudar a cabeça de dez, já é um ganho. Eu e outros escritores, professores, músicos, cineastas, cada um de nós, se a gente der esse grito de alerta, será que a gente consegue modificar?”, ele questiona. “Eu tenho que acreditar nisso, senão eu não iria querer ficar vivendo, não.” Um tanto disso Brandão também faz por meio de sua coluna no jornal O Estado de São Paulo, em que critica diretamente o governo.

Outro escritor de peso, cuja crença vai no mesmo sentido, é o amazonense Milton Hatoum, que está completando uma trilogia ambientada na ditadura militar brasileira. “É um erro pensar que a voz dos artistas é irrelevante. Se fosse assim, o fascismo e o nazismo não teriam perseguido e banido intelectuais, escritores, jornalistas, professores, artistas”, ele lembrou recentemente, em depoimento à revista Quatro Cinco Um. “Cada voz se somará a outra voz. Cada texto escrito e poema lido podem e devem ser compartilhados.” Impossível deixar de questionar, num tom mais lamurioso, qual é a força e o impacto disso numa sociedade que lê tão pouco, em meio a um governo que quer taxar livros.

Mas pensando na produção de literatura de ficção, nossos escritores têm uma obrigação de responder a esse momento da história do Brasil, ao que o filósofo e cientista social Marcos Nobre chama de “normalização do estado de crise, a transformação do colapso em forma de governar”?

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A literatura de Ignácio de Loyola Brandão é notória por “prever” cenários caóticos. Foto: Divulgação

 

Que papel poderá então desempenhar o escritor, esse a quem parece ter sido definitivamente retirada a antiga missão, tacitamente compreendida e reconhecida pela sociedade, de abrir caminho às verdades possíveis? Que dirá, que escreverá ele, se cada vez se vem tornando mais óbvia a impotência da literatura, de cada obra literária e de todas elas juntas, para influir de modo profundo e permanente na vida social? Se as sociedades não se deixam transformar pela literatura, se, pelo contrario, é a literatura que se encontra hoje assediada por sociedades que não lhe pedem mais do que as fáceis variantes duma mesma anestesia do espírito, isto é, a frivolidade e a brutalidade, como poderemos fazer intervir socialmente a voz e a acção dos escritores, ao menos daqueles a quem o compromisso com a escrita, absoluto ou relativo seja ele, não fez esquecer as suas obrigações, relativas e absolutas, de cidadãos?

“Os Escritores Perante o Racismo”, texto de José Saramago publicado no site da revista Quatro Cinco Um

“Quando pego as minhas coisas, eu vejo anúncio do bolsonarismo para todo lado.” Mais do que estar escrevendo sobre esse tema que tanto ocupa sua mente, o artista e escritor Nuno Ramos vê a sua presença em sua obra passada, em trabalhos como Bandeira Branca (2010). Mas ele se refere, acima, a uma característica que atribui à arte em geral: tudo vira premonição diante de uma situação de ruptura; e o papel da arte é, justamente, o de reconectar onde há descontinuidade.

Tal resposta não precisa, é claro, ser direta. Não é preciso falar sobre o bolsonarismo para discutir bolsonarismo; não é preciso falar sobre antipolítica para discutir o presidente da República. Nuno está trabalhando atualmente, por exemplo, em dois livros: uma reunião de ensaios e textos sobre diversos temas, inclusive o que estamos vivendo no Brasil; e outro mais biográfico, pautado em ficções. O segundo livro, que a princípio não teria nada a ver com o bolsonarismo, satisfaz muito mais o autor enquanto “resposta” do que o outro, em que há respostas mais imediatas e até diretas sobre esse tema.

“A arte em geral não é uma resposta simétrica — até, às vezes, parte desse desejo de resposta imediata, mas ela oferece, eu acho, um produto mais ambivalente, mais cheio de ar”, ele esboça. Não estariam os cartuns, as charges e as tirinhas, que nos desafiam diariamente a olhar para a realidade sob novas perspectivas (às vezes duras, às vezes bem humoradas, às vezes mal humoradas), fazendo isso muito bem? “A função da arte não é dar resposta, é dar ar, vontade de viver. Mesmo quando fala da morte.”

O próprio Nuno reconhece que precisa disso: largar um pouco sua obsessão com o tema e se reconectar com coisas que não têm a ver com isso — com a vida. Reagir ou não reagir ao que estamos vivendo não é melhor nem pior. “É muito complicado cobrar isso de alguém. Artista tem que fazer arte boa”, avalia. “A gente precisa tomar cuidado quando fala que a arte reage, porque ela reage nos termos dela, às vezes de um jeito muito maluco que de repente… Nossa, estava ali!”

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Bernardo Carvalho é autor dos romances Nove Noites (2002) e Reprodução (2013), entre outros. Foto: Divulgação

 

O movimento bolsonarista está atrelado ao cidadão conservador nos costumes e liberal na economia. Seguidor dos valores cristãos, acredita no direito romano sem ser garantista: não voltado para direitos humanos que olha mais para o bandido do que para o policial.

O bolsonarismo segundo a deputada federal Carla Zambelli (PSL), conforme declarado em live no Instagram com Guilherme Amado, colunista da revista Época

O escritor Bernardo Carvalho, autor de Nove Noites, Reprodução, entre outros romances, tem uma perspectiva que nos ajuda a pensar o papel da literatura de ficção neste momento. “Gosto da ideia de uma literatura que não esteja reduzida a ilustração do que já vimos e compreendemos, retrato do seu tempo, mas que seja também agente da transformação e que nos contrarie em nossos consensos”, propõe.

“Não gosto da literatura reduzida a documento, domesticada e entendida retrospectivamente como ilustração da história. Ela tem um lugar no presente, como possibilidade de alargamento do entendimento do mundo, de confronto com o desconhecido.” Para ele, a literatura é mais interessante quando nos contradiz — enquanto muitas vezes temos mania de achar que a boa literatura “nos faz identificar ou reconhecer” algo. Ela é, então, um agente transformador da realidade. “E, nesse sentido, pode alargar nosso entendimento desse mundo.”

Aliás, estamos falando até aqui em termos como “bolsonarismo” e “sociedade brasileira”, mas o que de fato eles significam? Algum autor já disse: o Brasil não é isso ou aquilo; ele é isso e aquilo.

Me diga uma coisa, e o amigo do Arthur espetou o dedo indicador no peito do Beto num gesto não exatamente amistoso, um vagabundo entra na tua casa, estupra a tua mulher, mata a tua filha, e você faz o quê? Chama os direitos humanos? Você tem mais é que descarregar o trinta e oito na cabeça desse filho da puta. E Daurinha levou as mãos ao rosto, um meio sorriso, meu Deus, que horror!, sem que Cândido decifrasse exatamente a origem do seu horror, se do estuprador ou da evocação homicida, e a cena pareceu aproximar os dois intrusos na festa.

A Tensão Superficial do Tempo, de Cristovão Tezza

O panorama político-social entrou quase que à força no novo romance de Cristovão Tezza (leia aqui uma entrevista com o autor). Escrito ao longo de 2019, mas com o tempo de ação transcorrido em apenas 30 minutos, A Tensão Superficial do Tempo segue a tendência dos dois livros anteriores do autor, que vive em Curitiba: a aproximação com o tempo presente. Mesmo que a escritora e crítica Noemi Jaffe considere A Tensão uma das primeiras obras literárias a encarar o Brasil bolsonarista com propriedade, no entanto, não foi intenção do autor fazer um “retrato” desse momento. “É muito difícil escrever sobre um tema imediato. Sempre lembro de que levei mais de 20 anos para enfrentar O Filho Eterno, um romance baseado em minha própria experiência como pai de uma criança Down.”

Tezza, porém, compartilha uma teoria interessante: a literatura de ficção talvez consiga se desvencilhar de um excesso de pressão da realidade a que somos constantemente submetidos. Por vezes é esmagador, paralisante e deixa o coração apertado demais para encarar a realidade.

Um cuidado do escritor, aliás, foi o de não cair no que ele chama de “evangelismo literário”: a obra como porta-voz de suas “verdades”, pois, para ele, escrever e ler são atos de investigação ética, com uma grande reserva de sensibilidade e de ampliação dos sentidos. A literatura, por si só, nessa definição, é o oposto de muito do que estamos vivendo ou sofrendo.

Se a gente [brasileiros] pudesse, também acabava com a privacidade pra combater o terrorismo; também se aliava com Arábia Saudita, Bahrein e o escambau; também defendia tortura fora das nossas fronteiras, em nome da democracia. Vai dizer que não defendia? Agora, peguei o senhor! Eles [norte-americanos] estão certos. O problema é a porra da contradição. A contradição é uma merda. Desculpe. Na Arábia Saudita, ladrão é amputado; aqui, é deputado. Não preciso de ladrão pra me representar. Tenho opinião própria. É só o que o senhor tem a dizer? Eu já esperava por isso. Ninguém aguenta contradição. É isso aí. Ninguém quer se ver no espelho. A contradição é a força e a fraqueza da democracia. Por isso é que não pode durar. Por isso é que a democracia está condenada a degringolar em fascismo e religião.

Reprodução, de Bernardo Carvalho

Com ou sem intenção, retratando ou reagindo, falando diretamente ou indiretamente — a literatura de ficção, que talvez tenha previsto o nosso presente, nos dá alguma luz sobre o nosso futuro? Se há alguma lição a se tirar desses autores, Heloisa Starling acredita que seja o reconhecimento de que há um fundo recessivo, um “coração das trevas” na sociedade brasileira. “Nós precisamos entender — nós todos — o que leva a isso”, ressalta a historiadora. E ela sugere pistas: o Brasil teve a maior filial do partido nazista fora da Alemanha. O que isso diz sobre quem nós fomos e quem nós somos? No que isso se transforma? A segunda resposta que a literatura nos dá, segundo Heloisa, seria a necessidade de defender a democracia como modo de vida: não apenas como instituições sólidas ou prática eleitoral, mas como um valor, como cultura democrática.

Para ela, tudo isso passa por uma reflexão: quais são os “possíveis” dessa sociedade? O que  posso fazer? O que nós podemos fazer? “E a ficção acende a nossa imaginação”, reafirma a historiadora. “Por isso Hannah Arendt dizia que, se o totalitarismo vencer, vão sobrar duas forças de resistência: o historiador, que é quem vai poder dizer ‘porque foi no passado assim, nós podemos pensar de outra maneira’”. E o outro, ela diz, é o poeta, porque vai acender a imaginação e fazer as pessoas pensarem: “Então, pode ser de outra maneira”.

 

PRATELEIRA TEMÁTICA

Livros para entender o panorama político brasileiro por meio da literatura ou das ciências sociais

  • A Tensão Superficial do Tempo, de Cristovão Tezza, editora Todavia (2020)
  • A Tirania do Amor, de Cristovão Tezza, editora Todavia (2018)
  • Brasil: Uma Biografia, pós-escrito de Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, editora Companhia das Letras (2018)
  • As Sobras de Ontem, de Marcelo Vicintin, editora Companhia das Letras (2020)
  • Corpos Secos, vários autores, editora Alfaguara (2020)
  • Desta Terra Nada Vai Sobrar a Não Ser o Vento que Sopra Sobre Ela, de Ignácio de Loyola Brandão, editora Global (2018)
  • Diário da Catástrofe Brasileira, de Ricardo Lísias, editora Record (2020)
  • Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, editora Nova Fronteira (2013)
  • Guerra Cultural e Retórica do Ódio (Crônicas de um Brasil Pós-político), de João Cezar de Castro Rocha, editora Caminhos (2020)
  • Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão, editora Global (2012)
  • Cobrador, de Rubem Fonseca, editora Nova Fronteira (2011)
  • Ódio Como Política — A Reinvenção das Direitas no Brasil, org. Esther Solano Gallego, editora Boitempo (2018)
  • Os Dias da Crise, de Jerônimo Teixeira, editora Companhia das Letras (2019)
  • Política e Antipolítica, de Leonardo Avritzer, editora Todavia (2020)
  • Ponto-final — A Guerra de Bolsonaro Contra a Democracia, de Marcos Nobre, editora Todavia (2020)
  • Reprodução, de Bernardo Carvalho, editora Companhia das Letras (2013)
  • Sobre o Autoritarismo Brasileiro, de Lilia Moritz Schwarcz, editora Companhia das Letras (2019)

 

YASMIN TAKETANI é jornalista. Vive em Curitiba (PR).

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