Especial | Estante antológica
30/07/2021 - 12:17

Estante antológica

Organizadores de antologias da literatura brasileira indicam alguns dos livros mais importantes do gêneros


Marcio Renato dos Santos

 

Apresentação da Poesia Brasileira Seguida de uma Pequena Antologia (1946), de Manuel Bandeira

Sabrina Sedlmayer recomenda esta antologia, que tem prefácio de Otto Maria Carpeaux, e também outras publicações organizadas por Bandeira ligadas a movimentos, entre as quais Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica (1937) e Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana (1938). "Percebe-se aí o papel do antologista como formador do cânone brasileiro", diz a professora da UFMG.

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Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Colonial (1952), organizada por Sérgio Buarque de Holanda

Luís Augusto Fischer pergunta: “Se hoje alguém fosse reavaliar esta obra, o que mudaria entre o tempo em que ela foi concebida e o nosso tempo?”. Ele mesmo responde: "Imagino que pouca coisa, por exemplo, a revalorização do Domingos Caldas Barbosa, bisavô da canção popular brasileira, ou a eventual descoberta de algum manuscrito que exigisse a sua inclusão".

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26 Poetas Hoje (1976), de Heloisa Buarque de Hollanda

Italo Moriconi valoriza esta obra, reeditada em 2021, que consagrou a renovação trazida pelos poetas dos anos 70 — a poesia marginal ou "de mimeógrafo". Sabrina Sedlmayer confessa que se tornou leitora após 26 Poetas Hoje: "Conhecer Ana Cristina Cesar, Paulo Leminski, Francisco Alvim, Chacal e Cacaso, entre tantos, em uma única obra, misturando a vida com a poesia, foi maravilhoso".

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Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século (2000), organização de Italo Moriconi

De Machado de Assis a Hilda Hilst, passando por Clarice Lispector, Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, a publicação teve como meta selecionar o melhor do conto produzido no Brasil durante o século XX. "Orientei-me por meu próprio gosto. O sucesso [da antologia] vem do fato que minhas escolhas coincidem em boa parte com as escolhas de outras pessoas que entendem do riscado", conta Moriconi, também organizador de Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século (2001).

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Geração 90: Manuscritos de Computador (2001), organizada por Nelson de Oliveira

Reunião de textos produzidos por autores da chamada Geração 90, entre os quais Marçal Aquino, Marcelino Freire, Marcelo Mirisola, Cintia Moscovich e Luiz Ruffato. Luís Augusto Fischer elogia o organizador: "Nelson de Oliveira é um leitor atento, e estava interessado em dar a ver uma nova geração. Na época da publicação deste livro e de Geração 90: Os Transgressores (2003), escrevi uma resenha, mencionando virtudes e tal, assim como apontando para ausências, que de resto sempre se poderá constatar porque, enfim, uma antologia é uma escolha".

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Geração 90: Os Transgressores (2003), organização de Nelson de Oliveira

Continuação de Geração 90: Manuscritos de Computador (2001), o livro traz narrativas, entre outros autores, de André Sant'Anna, Ivana Arruda Leite e Joca Reiners Terron. Alcir Pécora considera essas duas antologias organizadas por Oliveira como um trabalho significativo de dar publicidade a escritores dos anos 90 que frequentavam os mesmos lugares em São Paulo, "e que os editores da Ilustrada (suplemento da Folha de S.Paulo), na época, estavam interessados em valorizar como um hype literário da cidade, o que era exagero".

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25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira (2004), de Luiz Ruffato

Primeira seleção de textos literários organizada por Ruffato (colecionador, ele tem 200 antologias em sua biblioteca particular), este livro reúne vozes femininas que, posteriormente, se afirmaram como autoras, entre as quais Ana Paula Maia, Luci Collin, Simone Campos e Tatiana Salem Levy. A pesquisa de Ruffato não se esgotou em 25 nomes, e ele organizou uma segunda antologia com três dezenas de autoras: Mais 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira (2005).

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Aquarelas do Brasil: Contos da Nossa Música Popular (2005), organizada por Flávio Moreira da Costa

Reunião de textos literários que flertam com a música, inclui narrativas de João Gilberto Noll, Lima Barreto, Nei Lopes e Sérgio Sant'Anna. Flávio Moreira da Costa (1942-2019) foi um dos principais antologistas do Brasil — ele organizou 20 seleções de contos, como Crime Feito em Casa: Contos Policiais Brasileiros (2005) e 22 Contistas em Campo (2006). Entre outros livros, escreveu o romance As Armas e os Barões (1975) e um perfil biográfico de Nelson Cavaquinho, publicado no ano 2000.

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Granta: Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros (2012)

Duzentos e quarenta e sete pessoas enviaram textos para a editora Objetiva, e 20 autores, de até 40 anos, foram selecionados por um júri formado por Beatriz Bracher, Benjamin Moser, Cristovão Tezza, Italo Moriconi, Manuel da Costa Pinto, Marcelo Ferroni e Samuel Titan Jr. Com a grife da renomada revista literária britânica, a edição teve tiragem de 10 mil exemplares e reuniu narrativas, entre outros, de Javier Arancibia Contreras, Julián Fuks, Laura Erber, Luisa Geisler, Michel Laub, Ricardo Lísias e Vanessa Barbara.

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Antologia da Poesia Erótica Brasileira (2015), organizada por Eliane Robert Moraes

As faces múltiplas de Eros num só livro. Assim Sabrina Sedlmayer define esta antologia, que tem poemas de Gregório de Matos, Gonçalves Dias e Ana Cristina Cesar. "A organização impecável da ensaísta consegue escapar do patriarcalismo, e num rasgo temporal largo, nos faz rir, viajar, e sentirmos 'a lírica abdominal' a cada mudança de página", diz a professora da UFMG — leia mais em Erotismo catalogado.

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Sermões de Quarta-Feira de Cinzas (2016), organização de Alcir Pécora

Antônio Vieira (1608-1697) é autor, entre vasta produção, de três impecáveis sermões que tratam da morte e do desengano humano, material reunido pelo professor da Unicamp Alcir Pécora. Ele também organizou outros conjuntos de textos do português Vieira (o principal autor do barroco no Brasil), além de manuais de civilidade e poesia seiscentista — conteúdos que, para Pécora, interessavam menos como antologia de “melhores”, e sim como fragmentos até então indisponíveis aos seus alunos. “Essa é uma apropriada utilização para uma antologia ou coletânea: reunir textos para leitores que, de outra forma, não teriam acesso a eles.",

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Geração 2010: O Sertão É o Mundo (2021), organizada por Fred Di Giacomo

Paulista de Penápolis, Fred Di Giacomo conta que, adolescente, não se identificava com a literatura publicada no Brasil — isso no fim dos anos 1990 e início do século XXI. "O que eu entendia por Brasil estava, em literatura, nas páginas de Jorge Amado e Graciliano Ramos", comenta. Foi também a partir dessa percepção que Giacomo organizou Geração 2010: O Sertão É o Mundo: "Há um desejo do público de se enxergar na literatura e tem bons autores e excelentes autoras escrevendo. Falta essa potência ser reconhecida".

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