ENTREVISTA | Biblioteca ConVida - André Dahmer 19/06/2026 - 10:32

André Dahmer
Por Felipe Azambuja

 

Em uma rara noite sem chuva no final de maio, o quadrinista, artista visual e poeta André Dahmer subiu ao palco do Auditório Paul Garfunkel, na Biblioteca Pública do Paraná (BPP) como o primeiro convidado da série de encontros Biblioteca ConVida. Com o tema "como rir do absurdo ajuda a digerir a realidade de hoje sem cair na alienação?", o bate-papo foi mediado pelo professor e ilustrador Guilherme Caldas.

Natural de Botafogo, no Rio de Janeiro, Dahmer possui onze livros publicados, é reconhecido por seu trabalho nas séries de tirinhas "Malvados" e "Vida e obra de Terêncio Horto", além de suas tiras diárias publicadas nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo. Também é ganhador de cinco prêmios HQmix e um troféu Jabuti.

 

Biblioteca ConVida: André Dahmer
Felipe Azambuja | Edição Cândido

 

Na conversa, Dahmer falou, entre outros assuntos, sobre seus processos artísticos para o desenho, pintura e literatura, sua visão na formação e na realidade dos artistas no Brasil. O Cândido traz alguns dos destaques do bate-papo e, na sequência, uma entrevista com André Dahmer. Confira:

 

Biblioteca ConVida: André Dahmer
Ilustração: André Dahmer | Instagram: @andredahmer

 

Evitar o "humor do ódio"

A gente vive um tempo em que o algoritmo patrocina essa polarização, radicalização de ideias e ideologias, porque quando você gosta de alguma coisa, ele passa a te entregar só um lado da moeda sempre. É muito difícil "furar a bolha", como eles dizem. Tenho certeza de que as redes sociais fazem muito mal para a ca­beça das pessoas.

Eu próprio tenho uma luta na minha casa, porque tenho três filhas para cuidar. Uma tem 15 anos, e outra dez. A de dez a gente ainda consegue controlar essa sanha por informação, que é uma informação de péssima qualidade, é fragmentada, rasa. O que você fica ven­do deitado na cama, passando o dedo na tela, é uma poeira de informação. Os doutores fazem livros nas faculdades, que são lidos pela banca e mais 50 pessoas, depois publicam um pedaço que mil pessoas vão ler, depois publicam uma frase desse pedaço, e quando você vê, está lendo uma frase da Clarice Lispector, que na verdade é do Mário de Andrade. Não tem nenhum tipo de contexto.

Eu vi meus pares, nos anos mais duros que a gente passou no Brasil, fazerem humor com raiva e com medo. São duas formas ruins de fazer humor, eu acho. Eu nunca me dobrei a isso porque acho que o humor não foi feito para violentar ninguém, sabe? No Pasquim, o velho Jaguar falava que o humor foi feito sempre pa­ra atirar na perna, nunca atira para matar. Eu acho exatamente isso. Por outro lado, o humor ali um traço de crueldade também. Você não faz humor também sem um pouco de crueldade, mas acho que, sobretudo, tem que ser engraçado.

Obviamente nem todo trabalho dentro de quadrinhos precisa ser engraçado. A Laerte, por exemplo, fez durante muito tempo quadrinhos maravilhosos e saiu de alguns jornais porque não estava fazendo coisas que eram para rir. Ela abandonou os personagens de nariz bolota, os Piratas do Tietê. Tem relação com o momento da vida dela, que tinha acabado de perder um filho. Como é que você vai fazer humor assim? Nós somos de carne e osso. Como é que você faz humor quando você está se separando, quando você perde alguém querido? 

 

Poesia e liberdade para ir além do quadrinho

Eu já fiz alguns livros de poesia, sempre com editoras pequenas. Durante muitos anos eu fiz assim porque tinha vontade de esconder o trabalho, porque a mi­nha área de conforto é o desenho. E a Alice Sant'Anna, a minha editora da Cia. das Letras, me falou muitas vezes "vamos publicar seus poemas aqui, para de ser bobo, por favor". E o primeiro pela editora foi o Impres­são sua, que saiu em 2021, fizemos em 2020. Inclusive, esse livro foi um dos finalistas do Prêmio Oceanos. Foi a primeira vez que eu falei "ah, então eu posso fazer po­esia, não preciso me esconder mais". 

Acho que quando eu desenho e quando eu escrevo, a criação funciona no mesmo lugar. Eu hoje também pinto e faço objetos. Demorei muitos anos, te­nho 50 anos agora, para me sentir livre e falar que vou fazer o que eu quiser. Agora tenho esse direito, foi uma conquista, ninguém me deu isso de presente. E eu não gostaria que estivesse na minha lápide "quadrinista", é muito triste. É melhor "poeta". Até falei para minha mu­lher que eu tenho duas coisas que conquistei. Sempre que eu estou brigando com a minha espo­sa, pe­go o Jabuti que eu ganhei e falo "mas eu te­nho um Jabuti" – eu ganhei por quadrinhos, mas não precisa espalhar isso! 

 

Biblioteca ConVida: André Dahmer
Ilustração: André Dahmer | Instagram: @andredahmer

 

A pintura e a cruz do artista

Até hoje, eu acho que não sou exatamente um pin­tor. Eu me considero mais um desenhista – e um poeta, se vocês puderem lembrar disso quando eu morrer. 

Não existe erro na pintura, porque você pode mexer no quadro, mexer, mexer, mexer até falar: esse canto está bom. Aí você estraga o outro. É muito comum os artistas virarem os quadros para a parede do ateliê. Eu faço isso também e deixo lá por três, quatro dias, porque, às vezes, você pinta a noite inteira e vai dormir pensando que pintou um quadro incrível, e quando acorda, o quadro é uma merda.

Isso acontece na literatura também. Tem horas em que a cabeça dá uma entupida. É preciso ver depois, de novo. Eu tenho muito medo, porque com o advento da informática e do computador, você pega um texto seu e você fala, ah, não, vou mudar isso, vou passar esse parágrafo para cá. Isso está acontecendo com um romance que estou escrevendo há três anos. É muito fácil você destruir tudo refazendo. Uma das minhas maiores cruzes é querer fazer, mexer e nunca achar que está bom. Saber o momento de parar, na pintura e na literatura, é que nem saber parar de beber. Tem uma hora que você fala que tem que parar, se não estraga. E estraga várias coisas, às vezes. 

Este livro (A coragem do primeiro pássaro, Impressões de Minas e Lote 42) tem 13 anos, e eu gostaria de ter arrancado algumas páginas antes de entregar para vocês. Eu nem gosto de reler, porque toda vez que a gente revisita uma obra, sempre tem alguma coisa que poderia ter mudado. Tenho essa questão com os meus quadrinhos o tempo inteiro também. Tem livros que, se eu pudesse voltar no tempo, eu teria queimado inteiros. 

 

Todas as pessoas podem fazer arte

Tem um problema que acontece muito, principalmente na música, que é artista que ganha muito dinheiro de uma vez só, no primeiro disco. Dinheiro atra­pa­lha muito. Artista, quanto mais pobre for, melhor pro­duz – por isso que nós temos tão bons quadrinistas no Brasil. A gente ganha muito mal. Estou brincando, claro. Acho que os artistas têm que ganhar, na verdade, muito bem, mas também quando você fala "é muito difícil ser artista", na verdade, fazer asfalto no sol do Rio de Janeiro que é difícil. Vai assentar uma fileira de tijolo pra você ver um negócio.

Artista não para de trabalhar nunca, está sem­pre ligado. Às vezes eu estou deitado na cama e minha esposa fala, "porra, você não falou que ia trabalhar?", e eu falo "mas eu estou trabalhando", porque a gente trabalha deitado, trabalha em pé, a cabeça não para de funcionar. É muito ruim isso, na verdade, porque você não consegue beber com seus amigos sem trabalhar.

Comecei a desenhar como todos vocês, aos seis anos de idade, e dei sorte. Eu era uma criança muito doente da cabeça. Entre os oito e nove anos, minha mãe me levou em vários médicos, e eu repeti dois anos até a quarta série. Um neurologista me desenganou e disse para minha mãe: "Dona Tânia, ele nunca vai chegar à faculdade, mas você ainda tem duas lindas meninas" (minhas irmãs, Tatiana e Larissa). Eu tinha um grau, uma forma de viver diferente dos outros. Meu apelido na quarta série era "Dodói". Era um desses mo­leques que dava muito trabalho para os pais, e dei mui­to trabalho na escola. Minha mãe tentou de tudo, e quando me botaram numa escola de artes, resolveu o problema. Eu virei o melhor aluno da sala, parei de gritar, de correr e quebrar coisas. Parece que toda a energia que eu tinha que botar para fora só precisava de um canal simples. Talvez, se tivessem me dado uma bateria, uma guitarra resolvesse também, quem sabe? Mas com o desenho, meus pais agradeciam a Deus por eu ficar qui­eto por duas, três horas seguidas. 

(E o médico estava errado, porque eu passei em três faculdades.)

 

Biblioteca ConVida: André Dahmer
Ilustração: André Dahmer | Instagram: @andredahmer

 

Desenho tal qual caligrafia

O desenho como representação do real é uma idei­a que se destruiu antes do século XX, com os impressionistas e os expressionistas. É uma ideia que nos acompanha há 16 mil anos, desde quando a gente desenha­va nas cavernas. A caça, o sexo, a morte dos animais, a morte do inimigo. E ele foi representação do real com os egípcios, na Idade Média, no Iluminismo, quando começamos a estudar ciências e arte. Mas tirem uma fotografia se vocês quiserem representar o real. 

Encontrar o desenho que é seu, aquele que te tiraram quando você tinha 6 anos de idade, é o desenho mais difícil de todos. Porque, por exemplo, para você desenhar a Mona Lisa, você precisa quadricular uma folha em branco, quadricular uma foto da Mona Lisa, e fazer o que tem no primeiro quadradinho à esquerda no alto e assim em diante. Há um semicírculo, depois uma diagonal de 45°… Você vai ligando os pontos e depois apaga os quadradinhos, leva para tua mãe e ela fala que o filho é um gênio porque ele sabe fazer a Mona Lisa.

Existem técnicas para desenhar o real há 400 anos. Então, isso não é desenhar. O desenho que eu tento levar aos meus alunos é aquele que chamo de mão mole. O desenho é tal qual a caligrafia, é único. Muitos aqui têm vergonha da sua caligrafia, e do desenho quase todos.

Quando chega um garoto no meu curso com man­gá, eu falo "não, pelo amor de Deus!", porque o mangá é uma escola de desenho muito fechada, assim como o grafitti dos muros. É difícil você ver um artista que se sobressai e faz um trabalho completamente diferente do que já tem. A arte não tem nada a ver com cópia ou com receita, a arte é invenção. Eu prefiro dar cursos de desenho para as pessoas que nunca desenharam do que para quem fez cursos pelo YouTube falando que o corpo tem oito cabeças e meia. Que horror, coitada dessa pessoa.

 

Só os chargistas são felizes no Brasil

Eu acho que aprendi a fazer quadrinho. Eu faço quadrinhos diários desde 2007, quando comecei no Jornal do Brasil. Rafael Coutinho, filho da Laerte, falou pra mim que talvez eu seja o cara que tem mais quadrinhos feitos no Brasil, mais do que o Angeli e a Laerte, porque eu faço para dois jornais há muitos anos. Hoje trabalho para O Globo e para a Folha de S. Paulo, e tenho que fazer 60 tiras por mês, mais as da revista Piauí e de quem mais pedir. Então eu acho que eu me sin­to num lugar de conforto maior nos quadrinhos.

Hoje em dia, quando vou sentar pra trabalhar, eu prefiro fazer de manhã. Eu já trabalhei de madrugada, quando era mais jovem, mas hoje prefiro trabalhar de manhãzinha, das 6h até às 11h. Na verdade, eu sou que nem o Zeca Pagodinho, eu não gosto de trabalhar, nem acho bonito, digno, falar que sou um trabalhador, sustento minha família. Eu acho que trabalhar é uma merda. Se eu pudesse ser o presidente do mundo, eu libe­rava todo mundo do trabalho.

Para fazer as tiras, não há tempo para deixar virada para a parede como os quadros, mas prazo também é uma coisa inspiradora. Amanhã eu vou acordar inspiradíssimo, porque eu vou ter que fazer cartuns para a Piauí até as 11h da manhã, porque sempre pedem em cima da hora.

Esse conselho eu posso dar: não façam quadrinhos no Brasil, façam na Bélgica. Cartum e charge política vocês podem fazer no Brasil, que é o melhor país do mundo para isso. Mas tem uma notícia ruim, que um país bom para um chargista morar é um país ruim para as pessoas morarem. Só os chargistas são felizes no Brasil. 

 

Biblioteca ConVida: André Dahmer
Ilustração: André Dahmer | Instagram: @andredahmer

 

Tragicomédia brasileira

Eu acho que o Brasil é uma tragicomédia. Não sou desses com "viralatismo" de falar que o Brasil é uma mer­da, eu acho o Brasil um país incrível, de um povo incrível. O que a gente tem, na verdade, é uma elite do atra­so, com a cabeça ainda escravagista. Um amigo advogado, e é um homem negro, falou pra mim que passou a levar menos dura da polícia quando começou a usar óculos. Quer dizer, não faz sentido nenhum. Os policiais falam, "não, esse preto tá de óculos, então ele não vai roubar". Ele falou também que desde quando se formou em Direito e começou a usar terno, as pessoas sempre perguntam pra ele no restaurante se ele trabalha ali. O que faz mal ao Brasil não são os brasileiros, é uma pequena elite que há 500 anos se perpetua no poder, e, eu tenho muita fé que não é pra sempre.

A construção de uma nação mais igual é permanente, não acaba nunca. Essas coisas que eu estou falando, daqui a 50 anos alguém vai falar de novo, que a gente tem que lutar o tempo inteiro por justiça social. Porque a luta pela justiça social, por direitos, direitos das mulheres, direitos dos gays, dos trans é permanente, por­que os tempos evoluem para lugares mais sadios e de­pois voltam para lugares mais sombrios. Nunca acaba, não vai acabar nunca. A luta contra o preconceito racial, por exemplo, é pra sempre. Não vai chegar um dia que vai ter um estalo na humanidade e vão falar assim, "é, realmente, não faz sentido". Os movimentos de progressão e reação são cíclicos.

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Foto: Felipe Azambuja | Edição Cândido

 

Entrevista
Por Felipe Azambuja

 

Como rir do absurdo ajuda a digerir a realidade de hoje sem cair na alienação? 

Eu acho que o riso tem essa capacidade de ser uma válvula de escape para situações limites, por isso que o humor também fala muito de coisas tristes, como a morte. O humor gráfico brinca muito com a representação da morte. A capacidade de rir e de fazer rir também é um remédio para as coisas duras da vida, para a finitude e as tristezas da política, das situações sociais. Ela é uma ajuda para aquilo que não se resolve. 

 

Você tem algum limite ou "autocensura" nos temas das suas tiras?

Eu nunca fui censurado por nenhuma publicação. O que existe é uma autorregulação minha e acho que de qualquer profissional da área do cartum, charge e tiras. Quando a gente começa a trabalhar profissionalmente, temos uma maior regulação do que pode fazer mal, porque estamos aqui para, mesmo com crítica, ser engraçados, que é a principal função do humor, antes de ser crítico. Mas mesmo dentro da crítica, tomo muito cuidado para não machucar ninguém, nenhum grupo, não ferir nenhum segmento já atingido por mazelas.

 

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Ilustração: André Dahmer | Instagram: @andredahmer

 

Por que você fala dos quadrinhos como uma área menos prestigiosa que a poesia, por exemplo?

Eu brinco que os quadrinhos são menos prestigiosos do que poesia, mas isso é uma visão cultural de como a poesia tem um lugar mais nobre na sociedade. Os quadrinhos – a banda desenhada, muitos não gostam nem de chamar de quadrinho, tirinha, no diminutivo, exatamente por isso – nunca foram enxergados como uma arte maior, como o cinema, a literatura. 

Sempre me perguntam se quadrinho é literatura, como se o quadrinho tivesse que chegar ao nível da literatura, o que é uma grande bobagem. Então, quando eu falo que é uma área menos prestigiosa, estou mexendo com isso, com esse preconceito de pensar que quadrinho é coisa de criança, que se adulto estiver lendo quadrinho no metrô, ele vai ser mal visto. Esse preconceito com o quadrinho no Brasil não acontece em outros países, como a Bélgica, Argentina, França, que sabem que o quadrinho é nobre, para adultos e que existem grandes obras de quadrinhos. 

 

Fazer imitação (ainda que tosca) do real ficou mais fácil do que nunca com Inteligências Artificiais. O que você pensa sobre esta discussão enquanto artista? 

Eu não sou um ludita de achar que Inteligência Artificial tem que ser proibida, porque é impossível proibir. Chegou num nível de tecnologia que é possível geração de imagem, de filme, alteração de imagem. O problema é que, como eu já disse em tira, a sociologia não acompanha a tecnologia, e as leis também. A tecnologia vai numa velocidade muito maior do que a evolução das leis do jurídico e da sociologia. Então, os soció­logos estão tentando entender ainda coisas que acon­teceram há três, quatro anos.

Eu não a vejo como uma inimiga. Vejo como um lugar de encurtar trabalhos chatos. Posso queimar minha lín­gua, mas até o momento, ela não nos substitui. Não existe como fazer um grande romance, como um ser humano faria, com brilhantismo, com inteligência emo­cional, com sensibilidade. No futuro, talvez, mas eu não vejo isso como um fantasma, uma coisa a ser exterminada, até porque não dá. O que a gente pode fazer é abordar a parte jurídica, as regras, porque o direito do autor ainda existe, e ele tem que ser contemplado para quem cria. É uma discussão muito longa que vai consumir muito tempo, mas você não pode pegar uma obra de alguém, modificar um pouco e ganhar dinheiro em cima disso.

As Inteligências Artificiais vivem do que já existe documentado na rede em forma de filme, imagem e texto. É uma discussão muito complexa. Enquanto não mu­dar a lei brasileira ou qualquer outra lei – e isso não está acon­tecendo de maneira clara, nem com o direito do autor tradicional dentro dos grandes portais de música e de vídeo – os artistas estão sendo realmente explorados, não estão recebendo o que deveriam receber de direito autoral. 

 

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Fotos: Felipe Azambuja | Edição: Cândido

 

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