Retrato de um artista | William S. Burroughs




Há quem diga que a vida de William S. Burroughs é tão interessante — ou mais — quanto sua obra, esta calcada em um experimentalismo linguístico influenciado pelo uso de drogas. Nascido em 1914, em St. Louis, Estados Unidos, o escritor é oriundo de uma linhagem proeminente. Seu avô, William Seward Burroughs I, fundou a empresa Máquina de Somar Burroughs. Na década de 1940, Burroughs mudou- se para Nova York, onde iniciaria sua carreira literária e faria amizade com Jack Kerouac e Allen Ginsberg, entre outros escritores beatniks. Teve inúmeras experiências com alucinógenos: foi viciado em diversas drogas, incluindo morfina, e por vezes traficou narcóticos (e foi preso por isso). Teve diversas profissões, entre elas exterminador de ratos e detetive particular. Com uma vida errante, conforme mandava a cartilha beat, viveu no México, Marrocos, Paris e Londres. Em 1951, matou sua mulher em um acidente com arma de fogo, o que ele próprio mais tarde reputou como uma experiência definidora para sua carreira de escritor. Esses traços biográficos contribuíram para que o mito em torno do escritor aumentasse ao longo de seu percurso, dando-lhe o título de “o grande fora da lei da literatura mundial”. No plano literário, Burroughs escreveu obras experimentais e criou um conceito de escrita chamado cut-up, espécie de texto “interativo”, em que o autor se apropriava de escritos das fontes mais variadas para construir sua narrativa. Por meio desse sistema de escrita, o autor elaborou livros como O ticket que explodiu. Mas são os romances autobiográficos Junky (1953, publicado sob o pseudônimo de William Lee), em que explora suas experiências com a heroína, Queer (escrito na primeira metade da década de 1950, mas publicado apenas em 1985), sobre homessexualidade, e Naked Lunch (Almoço nu) que fizeram de Burroughs um escritor cultuado. No final da vida, o autor mudou para Lawrence (Kansas), onde morreu, em agosto de 1997.


Allan Sieber é cartunista, ilustrador e quadrinista, autor de tiras publicadas no jornal Folha de S. Paulo. Vive no Rio de Janeiro (RJ).