Memória coletiva

Com um acervo de mais 100 mil itens, a Divisão de Documentação Paranaense da Biblioteca Pública do Paraná preserva a memória do Estado

Felipe Kryminice


Com um dos acervos mais completos do Paraná, a Divisão de Documentação Paranaense da Biblioteca Pública do Paraná se tornou, ao longo das décadas, uma espécie de farol a quem quer conhecer mais sobre a rica história do Estado. Materiais com informações sobre fatos políticos — como a Guerra do Contestado — e culturais — como o surgimento da revista Joaquim — atraem, diariamente, centenas de leitores.

A Paranaense, como a Divisão é conhecida pelos usuários, tem uma coleção diversificada, composta por vários tipos de suportes de informação, como livros, periódicos, obras raras, mapas, fotografias, cartões postais, partituras musicais e microfilmes. “O setor é responsável por resgatar, selecionar, guardar, preservar e disponibilizar à comunidade documentos e informações históricas e culturais do Paraná.”, explica Josefina Palazzo Ayres, chefe da Divisão.

O acervo de mais de três mil periódicos — entre jornais e revistas — está entre os mais procurados. A Divisão guarda preciosidades como a primeira edição do Dezenove de Dezembro, o primeiro jornal paranaense, fundado em 1854, mesmo ano da emancipação política do Estado, por Cândido Lopes, que hoje dá nome à rua em que a BPP está sediada.

A diversidade do acervo atraí um grande fluxo de usuários, constituído em sua maioria por estudantes e pesquisadores em busca de informações para trabalhos acadêmicos. Alunos do ensino fundamental e profissionais da imprensa também costumam pesquisar o acervo.

“Aqui na Divisão há um grande e intenso fluxo de estudantes que estão realizando pesquisas para trabalhos acadêmicos. Mas também há pessoas que vem por pura curiosidade, que pedem para ver o jornal do dia em que nasceram ou de alguma outra data especial e marcante. De um modo geral, há grande interesse por parte dos usuários em materiais e documentos antigos. O que, para nós, só aumenta a importância do trabalho de preservação da memória de nosso Estado”, diz Josefina. Segundo ela, a Divisão também é depositária da memória biográfica paranaense, conforme decreto estadual do ano de 1964, que regulamenta o envio à Biblioteca Pública de obras originárias do Poder Executivo do Estado do Paraná.

Os itens excedentes do acervo da Divisão são distribuídos nas demais seções da biblioteca, para que o usuário possa ter acesso ao material. Já os materiais não incorporados ao acervo, são encaminhados para bibliotecas públicas municipais, por meio da Divisão de Extensão.

Paralelamente ao trabalho de preservação e conservação do acervo local, no contato e convívio com o usuário, procura-se conscientizar o pesquisador, mostrando a importância e o significado do trabalho de preservação do patrimônio intelectual do Estado do Paraná.

Microfilme


Com a intenção de preservar a qualidade dos periódicos originais, e diminuir o volume dos arquivos, parte do acervo é disponibilizada por meio de um processo denominado microfilmagem, que consiste em um sistema de captação das imagens de documentos por processo fotográfico. No total, são mais de cinco mil e quinhentos rolos de microfilmes disponíveis. “A fim de evitar o desgaste natural dos originais, os periódicos retrospectivos (referentes a jornais que já não circulam mais) e correntes (ainda em atividade) são encadernados e microfilmados”, diz a chefe da Paranaense.

A ação de microfilmagem teve início nos anos 1980, por meio de um convênio com a Fundação Biblioteca Nacional, que realiza esse trabalho em âmbito nacional. Na BPP, essa atividade é desenvolvida com o apoio da Divisão de Preservação. Os primeiros trabalhos de microfilmagem foram os de revistas e jornais retrospectivos paranaenses. Depois, se estendeu aos demais periódicos.