Especial | Charles Bukowski

Bukowski para ver e ler

Crônica de um amor louco (filme, 1981)

Um dos filmes sobre a obra de Charles Bukowski mais apreciados por seus leitores, o longa do italiano Marco Ferreri é uma adaptação livre de alguns contos de Bukowski, em especial de A mulher mais linda da cidade, uma das mais célebres histórias do escritor, em que uma prostituta (vivida no filme por Ornella Muti), atormentada pela vida que leva, se mutila e depois comete suicí- dio. O personagem principal, Charles Serking, interpretado por Ben Gazzara, é um poeta beberrão claramente inspirado em Bukowski. A mais “artística” adaptação da literatura do autor, com o passar dos anos virou um cult movie. Só o próprio Bukowski não gostou.

Cartas na rua (romance, 1971) 

Primeiro romance de Charles Bukowski, Cartas na rua é também o livro mais conhecido do escritor. Em um estilo bastante livre, com uma prosa que beira a oralidade, Bukowski narra as próprias memórias do tempo em que trabalhou como carteiro. No centro da narrativa está Henry Chinaski, personagem recorrente na obra em prosa de Bukowski. Ao longo do livro é possível identificar as influências de Ernest Hemingway e John Fante, pela opção de uma prosa direta, com diálogos simples. Bukowski começou a escrever Cartas na rua após a sugestão do editor John Martin, que achava que os romances poderiam render mais dinheiro a Bukowski, que em três semanas entregou o livro.

Ao sul de lugar nenhum (contos, 1973) 

A maior parte dos livros de contos de Charles Bukowski é feita de retalhos, pois o escritor publicava sua prosa em revistas e jornais antes de reuni-la em livro. Ao sul de lugar nenhum foi concebido assim. E é um dos melhores trabalhos do escritor. Nesta coletânea os porres homéricos e relacionamentos falidos estão presentes, mas divedem espaço com histórias baseadas na pura imaginação, sem tanta interferência de sua biografia. É o caso dos contos “Matador” e “Os assassinos”, textos com toques de literatura noir.



Barfly (filme, 1987) 

A expressão “mosca de bar” é recorrente nos contos de Bukowski, e foi esse o título escolhido pelo diretor Barbet Schroeder para seu longa sobre as desventura de Henry Chinaski, o alter ego de Bukowski. Essa foi a produção cinematográfica em que o escritor mais se envolveu, escrevendo o roteiro, frequentando o set de filmagem e até mesmo fazendo uma ponta como “mosca de bar”, sem proferir nenhuma palavra. O filme inicialmente teria Sean Penn no papel principal, que sugeriu que Dennis Hooper, astro de Easy Rider, fosse o diretor. Bukowski não concordou e Schroeder assinou o longa, com Mickey Rourke no papel principal.


Mulheres (romance, 1978) 

Charles Bukowski não era propriamente bonito. Na adolescência teve sérios problemas com acne, seu cabelo era meio seboso e ele também não se vestia muito bem. Nada que o impedisse de ter muitos relacionamentos amorosos. Mulheres, segundo romance do escritor, baseia-se nas experiências amorosas do “Velho Safado”, principalmente de seu relacionamento com Linda Lee. No romance, ela aparece como a personagem Sara.


Crazy love (filme, 1987) 

Realizado pelo belga Dominique Deruddere, Crazy love é a adaptação que Charles Bukowski mais gostou. Baseado em três contos do escritor, a trama se desenrola através de três momentos da vida do trágico personagem Harry Voss e sua incessante busca por amor e aceitação: da adolescência conturbada até um homem amargo e solitário. Falado em francês, Crazy Love conquistou Bukowski, que o julgava como uma das mais fiéis adaptações do universo de desesperança e degradação criado por ele em sua literatura. O escritor assistiu ao filme em Los Angeles, junto com os atores Sean Penn e Elliott Gould e a cantora Madonna.

O amor é um cão dos diabos (poemas, 1977) 

Coletânea que reúne poemas de 1974 a 1977, é um dos livros de poesia mais populares de Charles Bukowski. A maioria dos poemas trata da complicada vida amorosa do escritor em meados dos anos 1970. A poesia de Bukowski se aproxima muito da linguagem e temática de seus contos, com diálogos e narrativas que contam histórias. Sob vários aspectos, O amor é um cão dos diabos é um livro que se conecta ao romance Mulheres, ambos escritos na mesma fase da vida do escritor e com o mesmo tema.


Factotum (filme, 2005) 

Adaptação do romance homônimo escrito por Bukowski em 1975, Factotum narra a vida profissional errante de Henry Chinaski, personagem recorrente na obra do autor. No filme do diretor Bent Hamer, o lado mais festivo da obra de Bukowski dá espaço para um clima mais depressivo, com Chinaski sendo demitido de vários empregos e tendo dificuldades para se sustentar. A história de um jovem pobre tentando ser escritor, lembra em muito a saga de Arturo Bandini em Pergunte ao pó, livro de John Fante que Bukowski venerava. O filme divide opiniões e é a adaptação mais recente de um livro do escritor.

The days run away like wild horses over the hills (poemas, 1969) 

Esta foi a primeira antologia substancial da obra de Bukowski publicada pela Black Sparrow Press. A coletânea reúne poemas que apareceram primeiramente em livros de tiragens minúsculas e revistas underground. Os poemas são, em sua grande maioria, melancólicos e foram escritos sob o impacto da morte de Jane Baker, uma das amantes do escritor. Jane também serviria de modelo para personagens variados da prosa do escritor, como Betty do romance Cartas na na rua.



Born into this (documentário, 2003) 

Há muitos documentários sobre Bukowski, mas Born into this (título tirado de um poema do escritor), dirigido por John Dullaghan, certamente é um dos mais completos. A cena inicial do filme mostra Bukowski vomitando — por conta do nervosismo e do álcool — antes de fazer uma leitura pública de seus poemas em evento promovido pela City Lights Books, a livraria e editora do poeta beat Lawrence Ferlinghetti. O documentário traz entrevistas com amigos do escritor e imagens de arquivo do próprio Bukowski falando sobre seu modo de escrita e seu estilo de vida.