Prateleira | Livros coreanos 29/02/2024 - 13:27

O Cândido nº 147 selecionou algumas obras para quem quer conhecer e embarcar em uma viagem única, autêntica e prazerosa (por vezes, incômoda) no universo da literatura coreana

 

 

 

Contos Contemporâneos Coreanos (Landy, 2009), organização, seleção e tradução de Yun Jung Im

A maioria dos contos selecionados neste livro são de autores das décadas de 1960, 1970 e 1980, e datam um período pós-ocupação japonesa no território da Coreia e pós-guerra das Coreias – o conflito que marcou a divisão do país entre o norte e o sul. Ou seja, são narrativas norteadas pela violência bastante característica destes eventos; histórias de soldados traumatizados, de familiares desaparecidos, de jovens que foram cooptados pela guerra e obrigados a lutar contra o seu próprio povo, que deram o sangue, literalmente, em busca de liberdade. É uma ótima obra para conhecer um pouco da produção literária coreana pós-guerra. Além disso, esta edição conta com um prefácio bastante elucidativo do saudoso tradutor Boris Schnaiderman.

contos coreanos

 

 

atos humanos

Atos Humanos (Todavia, 2021), de Han Kang. Tradução de Ji Yun Kim

Em 1980, no auge da ditadura militar na Coreia, os estudantes da cidade sul-coreana Gwangju foram brutalmente massacrados, em um levante que ficou conhecido como “A Revolta de Gwangju”. Foram mais de 2 mil mortes, entre civis e militares. Para além desse evento sanguinolento, Gwangju também é a cidade onde nasceu a escritora Han Kang e, coincidentemente, sua família se mudou para Seul quando ela tinha nove anos, quatro meses antes da sua cidade natal ser devastada pela revolta popular. Esse acontecimento serviu de inspiração para Atos Humanos, publicado originalmente em 2014 na Coreia, e que conta a história de Dongho, um garoto de apenas 15 anos que busca seu melhor amigo em meio às vítimas num ginásio onde os cadáveres estão à espera de reconhecimento.

 

 

Pachinko (Intrínseca, 2020), de Min Jin Lee. Tradução de Marina Vargas

Um dos acontecimentos mais marcantes para o povo coreano é a invasão e a ocupação por parte do Império Japonês no começo do século 20. Uma ocupação que começou em 1910 e terminou em 1945, com a derrota do Japão no fim da Segunda Guerra. Neste período, os coreanos foram obrigados a abandonar a sua língua e a adotar a japonesa como idioma oficial. Além disso, qualquer resistência por parte do povo coreano era brutalmente reprimida pelo Império Japonês. É este o contexto que a autora Min Jin Lee aborda em seu livro Pachinko, que conta a história de três gerações da família de Sunja e Baek Isak, que se mudam para o Japão em busca de melhores condições de vida, mas na Terra do Sol Nascente se deparam com uma realidade dura, repleta de preconceitos.

pachinko

 

 

kim jiyoung

Kim Jiyoung, Nascida em 1982 (Intrínseca, 2022), de Cho Nam-Joo. Tradução de Alessandra Esteche

O livro conta a história de Kim Jiyoung, uma jovem casada e com uma filha, que em determinado dia começa a apresentar sintomas estranhos, que preocupam o marido e os familiares: ela personifica vozes de outras mulheres conhecidas – vivas e mortas. Aconselhada pelo marido, a jovem se consulta com um psiquiatra e, então, conta toda a sua história para o médico. A partir daí, por meio do relato de Kim, o leitor tem um panorama do machismo que atravessa a sociedade coreana nas décadas de 1980 e 1990, até os dias de hoje.