POESIA | para salvar o costureiro cuitelão 15/04/2026 - 14:58

Por Maria Cardoso

 

 

I.

Passarinho pedreiro-do-espinhaço, 
construindo a montanha
mineral por mineral
coreografado pelo joão-de-barro

 

II.

Entrevendo o futuro em uma bola de quartzo:
beija flor portando a gravata-verde
é tempo de forragear uma flor
às vespas, 
leiloar a prece.

 

III.

Para subir a montanha com rigor 
e nunca chegar ao topo. 

 

IV.

Coletar a cãibra, 
subir de novo.

 

V.

Cá estão seus olhos, aglutinação de mão minério. 
uropídeo de lágrimas e papel. de presente te dou 
o pequeno mistério do maxalalagá.

 

VI.

Torna-te neblina, impermeabiliza a pena minha.

 

 

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Maria Emanuelle Cardoso nasceu em Montes Claros (MG) em 15 de novembro de 2000. É bióloga e doutoranda em Biodiversidade e Uso dos Recursos Naturais (PPGBURN) pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). Atua como ativista socioambiental e educadora popular. Desenvolve pesquisas no campo da Etnoecologia, notadamente a adaptação socioecológica diante da incerteza ambiental em territórios tradicionais. Possui textos publicados em mais de 60 antologias e revistas em português, inglês e espanhol. É autora de Amarelo Mostarda (Editora Nauta, 2024), semifinalista do Prêmio Loba 2025.

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