RETRANCA | Prateleira 17/04/2026 - 11:37
Redação Cândido
O Cândido reúne uma seleção de livros escritos por mulheres negras brasileiras, de diferentes épocas e gêneros, inspirados e relacionados com o conceito de "escrevivências", criado por Conceição Evaristo, ou que discutem questões raciais.
As indicações são das autoras do livro Mulheres com N Maiúsculo: perfis jornalísticos e escrevivências negras (2025), entrevistadas para a reportagem principal desta edição. Mais que uma lista, é um convite ao leitor(a) para mergulhar na literatura afro-brasileira escrita por mulheres.
Olhos d'Água
Conceição Evaristo
Pallas, 2014
A romancista, contista e poeta Conceição Evaristo (1946) escreveu o livro de contos em 2014, terceiro colocado do prêmio Jabuti, nesta categoria, no ano seguinte. A obra reúne 15 histórias de pessoas que passam por situações causadas pela desigualdade social, de raça e de gênero. Cunhou o termo "escrevivências", que significa “escrever para existir, lembrar e resistir”, segundo ela. Retrata realidades pouco representadas na tradição literária brasileira, com 12 livros publicados até o momento.
Diário de Bitita
Carolina Maria de Jesus
SESI-SP, 2014
Obra autobiográfica publicada postumamente, em 1982, na França, e em 1986, no Brasil. O livro narra desde a infância de Carolina (1914-1977), em Sacramento, interior de Minas Gerais, até sua ida para a cidade de São Paulo, na juventude. "Bitita", como era chamada quando criança, teve o início de sua vida marcado pelo racismo, pobreza e exclusão social no Brasil rural pós-abolição. Neste retrato íntimo, a autora revela sua trajetória antes de Quarto de despejo (1960), livro pelo qual ficou mundialmente conhecida.
Paraná Preto
Aline Reis e Maria Carolina Scherner
Íthala, 2015
Livro de estreia das jornalistas curitibanas, aborda a história do Movimento Negro no estado através das trajetórias de organizações afro-brasileiras de diversas regiões paranaenses. Também com as histórias de gente comum, que vive em um dos estados em que a cultura negra é mais negada em todo o Brasil. Por meio destas narrativas, a obra aborda saúde, política, religião, educação e diversas outras facetas do Movimento Negro.
Doces memórias
Alice da Silva
Humaitá, 2022
Com o nome completo Doces Memórias de uma mulher negra na grande Curitiba, o livro conta a vida de Alice da Silva, mestra griô e doceira que aprendeu a ler e escrever já adulta, e lançou seu primeiro livro, em 2022, aos 86 anos de idade. A obra reúne causos, anedotas, aprendizados e transformações do Jardim Osasco, bairro de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, onde Alice reside desde 1977. Além de memórias, a escritora traz uma seleção de receitas de doces caseiros feitos no fogão à lenha.
O pacto da branquitude
Cida Bento
Companhia das Letras, 2022
No livro, a psicóloga social e escritora discorre sobre a "branquitude" – que funciona como um acordo não-verbal, um mecanismo de manutenção do racismo. Neste sistema, pessoas brancas excluem pessoas negras de diferentes espaços na sociedade, limitando acesso à educação, mercado de trabalho e instituições políticas.
Pretas com Poesia
Org. Jô Macário
Donizela, 2024
A obra reúne poemas de diversas escritoras paranaenses, ressaltando a importância de ampliar e visibilizar a produção de escritoras negras na literatura. A antologia reúne 16 autoras: Adriana Alexandre, Ayo, Céu Intense, Claudia Maria, Dandara Souza Maria, Dany Teixeira, Eva Coller, Evelin Moreira, Jô Macario, Julia Thomaz, Juvi Honorio, Melanina, Shirley Pinheiro, Sueli Crespa, Vania Rodrigues e Vênus. Em 2025, foi lançado o segundo volume, com outra seleção de escritoras, somando no total cerca de 40 nomes de integrantes do coletivo Pretas com Poesia.
---
Isa Honório (São José dos Campos∕SP, 2002) é formada em Jornalismo pela UFPR. Repórter do jornal Cândido, também é escritora e compositora. No tempo livre, atua com produção cultural na cena de música independente em Curitiba. Se interessa por arte produzida por mulheres, política e meio ambiente.
















