José Castello | Clarice no deserto
26/06/2020 - 11:40

O escritor e crítico literário José Castello relata a história de sua paixão pela obra de Clarice Lispector, que no próximo mês de dezembro completaria cem anos

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Clarice Lispector por Carolina Vigna

 

O calendário retrocede 50 anos. Tenho 19 anos de idade, ainda moro com meus pais. Sinto-me vazio, o espírito murcho, em busca de alguma coisa que não sei o que é. Na pequena biblioteca de minha irmã Sandra, esbarro, por acaso, com um exemplar da primeira edição de A Paixão Segundo G.H., romance que Clarice Lispector publicou em 1964.

O exemplar — rodado pela Editora do Autor e que traz marcado o número 0240 —, meio século depois, continua ao meu lado. Agora mesmo eu o observo, eu o apalpo e, só com grandes dificuldades e até alguma repulsa, eu o abro. Na época, a capa rosa me espantava por outro motivo: prisioneiro de um clichê, eu julgava se tratar de um livro “para moças”. Mesmo assim, ou talvez por isso, eu o peguei para ler.

Agarrado ao livro, chego ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde tinha o hábito de me refugiar. Ali, entre as árvores imensas, eu me escondia da realidade humana e voltava a uma natureza selvagem, arcaica, inumana. Voltava ao início de tudo, na esperança de, enfim, encontrar um sentido.

Não sabia disso, mas, avançando pelas alamedas do jardim, eu corria o risco de encontrar a própria Clarice Lispector, que também era apaixonada pelo Botânico. Em “Amor”, conto publicado em 1960 no livro Laços de Família, Clarice relata a experiência de Ana que, depois de se assombrar com a figura de um cego — um semblante que a desorganizou e quase enlouqueceu —, refugia-se, ela também, no Jardim Botânico.

Relata Clarice: “Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber”. Sem que eu já soubesse disso, naquele livro — que eu carregava como se fosse uma bomba — alguma coisa se preparava. O livro G.H. também era uma cilada.

Nunca encontrei Clarice — ou, se cruzei com ela, não a reconheci. O que ela pensaria daquele jovem tonto agarrado a seu G.H.? Também a mim — como um cego que, de repente, nos devassa —, seu livro enlouqueceu. Não conseguia parar de lê-lo, avançava e voltava algumas páginas, anotava sem parar. Quando o terminei, nem cheguei a decidir: eu o li, logo em seguida, pela segunda vez.

Ao terminar a segunda leitura, em um fim de tarde em que o jardim foi devastado por uma tempestade, uma febre começou a se apossar de mim. Cheguei de volta em casa com as roupas encharcadas — e atribuí a febre à chuva. Durante a noite, piorei. Meus pais viajavam — minha avó Iracema tratou de cuidar de mim.

Aflita, ela decidiu chamar um médico, doutor Wangler, nunca vou esquecer seu nome. Um senhor silencioso, de cabelos brancos, que me examinou com cautela e paciência. Ao fim, disse para minha avó: “A senhora não se preocupe não. É só uma paixonite”.

Nunca me esquecerei desse médico que, com seu precário estetoscópio, “lera” em meu corpo o livro que eu terminara de devorar. A paixão agora estava dentro de mim. Ela explodia em febre. De certo modo, agora eu “era” G.H.

Assim que melhorei, li Água Viva. E depois os contos de Laços de Família, onde encontrei “Amor” e o Jardim Botânico de Clarice. O tempo se passava e eu continuava a carregar aquele primeiro livro em meu interior. Até hoje — como uma pedra amarrada ao peito — eu o carrego.

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Ilustração: Carolina Vigna

 

Telefonema
Copacabana, novembro de 1974: aos 23 anos de idade, ainda me iniciando na profissão de jornalista, começo secretamente a ensaiar, também eu, alguns textos de ficção. Textos sofríveis, deploráveis, em que avanço em ritmo hesitante, sem ter certeza do que quero.

Há, ainda nesse momento, um livro que não consigo largar: o mesmo livro, A Paixão Segundo G.H. Tentando atar as duas experiências, tomo coragem e envio um dos contos que acabo de escrever, que não chega a ser mais que uma confissão inocente, para o apartamento de Clarice, no Leme. 

Vésperas de Natal: o telefone toca e uma voz arranhada, grave, se identifica: “Clarrrrrice Lispectorrrr”, eu ouço. Custo a acreditar. “Estou telefonando para falar de seu conto”, ela continua. “Só tenho uma coisa para lhe dizer: você é um homem muito medroso. E com medo ninguém escreve.”

O silêncio ensurdecedor que se segue àqueles erres rascantes me faz acreditar, por instantes, que Clarice desligou sem se despedir. Pouco depois, contudo, a voz ressurge: “Se você quer escrever, livre-se do medo”.

O telefonema não chega a durar um minuto, mas deixa em mim sequelas íntimas que ainda hoje não digeri por completo. A voz de Clarice ainda soa em minha memória. Ainda se agita em meus nervos.

 

Entrevista
Maio de 1976. Na redação de O Globo, jornal com o qual colaboro, espalha-se o boato de que Clarice Lispector decidiu nunca mais dar entrevistas. A notícia é motivo suficiente para que o periódico me encomende uma entrevista com a escritora. Telefono para ela. Para minha surpresa, Clarice aceita me receber.

Mas, quando chego, o porteiro me diz: “Dona Clarice não está”. Insisto que tenho uma hora marcada, que deve haver algum engano. Talvez comovido com minha perplexidade, ele admite: “Dona Clarice está, mas me pediu para dizer que não”.

Ainda assim, o porteiro liga para o apartamento da escritora. Novo contrassenso: sem discutir, Clarice autoriza minha subida. Recebe-me com a face azulada, translúcida, de quem se move em outra esfera do real. Para minha surpresa, diz: “Então você é o autor daquele conto”. Respondo, envaidecido, que sim. Ela me fulmina: “Não gostei. Quem tem medo não deve escrever”.

Tento me recuperar do golpe voltando ao papel de repórter. Tiro de minha pasta um pequeno gravador com que pretendo registrar a entrevista e o coloco sobre a mesa de centro. Assim que vê o gravador, Clarice começa a gritar. Emite vagidos longos, lamentos despidos de sentido, e só posso entender, entre eles, uma palavra: “Não”. Meus olhos percorrem a sala em busca da sombra que a ameaça. Não a encontro.

“Dê-me isso imediatamente”, ela diz finalmente, apontando para o gravador. Então é isso. Uma mulher, que desconheço, surge na sala e a abraça com força. Só então Clarice deixa de gritar. Depois, ela pega o gravador e desaparece na penumbra do corredor. Quando volta, é outra mulher.

“Tranquei-o no armário”, diz, exibindo, com um sorriso malvado, a chave. “Na saída, eu o devolvo.” Resta-me puxar um bloco de anotações. A entrevista é tensa, cheia de suspeitas e mal-entendidos. Ainda sem poder pensar, eu lhe faço perguntas de iniciante. “Por que você escreve?”, questiono. Ela se ergue e diz: “Vou lhe responder com outra pergunta: por que você bebe água”?

Encerrada a entrevista, para minha surpresa, Clarice me leva à cozinha e oferece uma fatia de bolo com Coca-Cola. Fala sobre a vida, fala sobre nada. Depois vai até o quarto e me traz o gravador.

Volto a visitá-la por três ou quatro vezes. São encontros doces, em que ela fala sem pressa e, de vez em quando, se perde em grandes silêncios.

Tempos depois, Clarice cai gravemente doente. É internada. Planejo visitá-la no Hospital da Lagoa. “Não me deixarão entrar”, penso. Nem sei se pode receber visitas. Ela está certa: o medo me comanda.

Dezembro de 1977: Clarice morre. Pego um ônibus e atravesso o verão do Rio até o cemitério israelita do Caju. O caixão está fechado. Clarice não morreu, é o que isso me diz. Vão enterrar um caixão vazio.

O tempo salta.


Bruxaria
Julho de 1991. Em um bar do Leblon, tomo um uísque com o escritor Otto Lara Resende, que me passa preciosas informações para minha biografia de Vinicius de Moraes. Vinicius nos leva fatalmente às mulheres e, entre tantas, chegamos a Clarice Lispector.

Quando pronuncio pela primeira vez o nome de Clarice, Otto respira fundo, como se algo o arrastasse para longe dali e devesse se concentrar para não se perder, e depois me diz: “Você deve tomar cuidado com Clarice. Ela não faz literatura, mas bruxaria”.

A declaração, pronunciada pelo cético Otto, toma uma dimensão grave. É verdade que, desde muito tempo, Clarice tem sua imagem associada à feitiçaria. No início dos anos 1970, ela chegou a participar de um Congresso de Bruxaria realizado em Santafé de Bogotá.

Otto ainda pronuncia um segundo nome de mulher: Claire Varin. Trata-se de uma canadense de Montreal, professora de literatura, que tem dois livros sobre Clarice editados no Quebec. Otto me oferece o endereço de Claire, mas me adverte: “Não é só uma paixão intelectual, é uma possessão. Claire está possuída por Clarice”.   

Curitiba, dezembro de 1995. Recebo pelo correio um exemplar de Langues de Feu (Línguas de Fogo), coletânea de ensaios sobre Clarice Lispector assinada por Claire Varin. Sem nenhuma esperança, lhe enviei um cartão falando a respeito de meu interesse por seu trabalho. Agora o livro chega para conduzir nosso encontro.

Claire é doutora em Letras. Seus livros, porém, não são obra de uma especialista, mas de uma apaixonada. Decido telefonar-lhe para agradecer. Ela me atende com entusiasmo. Conversamos por mais de uma hora com a intimidade de duas pessoas estranhas, de hemisférios opostos que, no entanto, compartilham o mesmo mistério.

A certo ponto, Claire — em seu nome só falta um “c” para que ela se transforme em Clarice! — rememora a frase terrível de Otto, que ela também ouviu: “Tome cuidado com ela. Não se trata de literatura, mas de bruxaria”.

A partir dessa frase, Claire desenvolveu o que chama de “método telepático”. O princípio que segue é tão singelo quanto desnorteante: só é possível ler Clarice Lispector tomando seu lugar — sendo Clarice. Não há alternativa, ela me diz.

Pergunto se tal método pode, de fato, funcionar. Claire me responde lendo um trecho de uma crônica de Clarice. Vale reproduzi-lo: “O personagem leitor é um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que inteiramente individual e com reações próprias, é tão terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor”.

Claire Varin se bate ferozmente contra as interpretações racionais da obra de Clarice. Afirma que elas só podem conduzir ao que lhe é estranho, e logo ao fracasso. “O leitor deve se tornar um médium, para que Clarice se incorpore”, afirma. “Pode soar falso, mas é o único caminho.”

Ainda tento resistir às ideias de Claire Varin. “Parecem tomadas de um manual de esoterismo”, me digo. Mas tudo me leva na direção oposta. Diante do real, meu pensamento se esfarela. O método de Claire, devo admitir, já age sobre mim.

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O centenário de Clarice Lispector (1920-1977) é comemorado em dezembro deste ano. Foto: Divulgação

 

Estado ambíguo
Em Langues de Feu, Claire cita um trecho de uma carta que Otto escreveu, anos antes, para Clarice. “É engraçado como você me atinge e me enriquece ao mesmo tempo que me faz um certo mal, me faz sentir menos sólido e seguro”, ele diz.

Otto descreve com exatidão o estado ambíguo em que os leitores de Clarice Lispector são jogados. A fronteira entre sujeito e objeto se rompe. O leitor entra no livro; se encontra nele, e também se perde nele. 

Quando se trata de Clarice, os críticos repetem sempre uma palavra: epifania. Termo roubado das religiões, que se refere à aparição ou manifestação do divino. Clarice, porém, não falava em um deus, mas no it — isto é, a coisa. Os críticos logo passaram a associá-la à fenomenologia. Passaram a dizer que Clarice Lispector escreveu “romances filosóficos”. Pode ser uma saída, mas não sei se é uma solução.

Há uma senhora em Paris, Hélène Cixous, que afirma textualmente: “Clarice é uma autora filosófica. Ela pensa e nós não temos o hábito de pensar”. Confrontando o comentário de Hélène com o de Claire, fico pensando quantas Clarices cabem em uma só mulher.

 

Paixão do leitor
Porto Alegre, agosto de 1995: caminhando pela rua da Praia, o escritor Caio Fernando Abreu me relata seus encontros com Clarice, de quem é leitor voraz. Quando se viam, Clarice repetia: “Você é o meu Quixote, o meu Quixote”.

Um dia, descendo a mesma rua da Praia, os dois pararam para tomar um café. Com ar casual, Clarice se voltou para ele e perguntou: “Em que cidade estamos mesmo”?

Caio me diz que se acostumou, logo, com a intimidade espantosa que Clarice tinha com a imprecisão. Estado de conexão com as pulsações que cercam os fatos, e não com os fatos. Leu-a, ininterruptamente, durante anos a fio. Um dia, porém, se sentiu obrigado a parar. “Se não parasse, eu não conseguiria mais escrever”, diz.

Relembro da frase de Claire: quando um leitor se apaixona por um escritor, o leitor se torna o escritor. O idealismo exasperado de Caio, seu gosto pelo exagero (além de seu rosto magro e sua barba sempre por fazer) levaram Clarice a ver nele ninguém menos que o Quixote — e, em consequência, o Cervantes. Mas, quando se olhava no espelho, Caio sempre tinha medo de ver Clarice Lispector.

 

Desterrada
Paris, setembro de 1996. Chego ao apartamento da escritora Hélène Cixous, apontada como a mais importante especialista europeia na obra de Clarice Lispector. Foi uma negociação difícil, pois Hélène é uma mulher secreta e desconfiada.

Primeiro, precisei passar pelo escritório da líder feminista Antoinette Fouque, proprietária das Éditions des Femmes, que edita Clarice em francês. “Não se pode entender Clarice Lispector sem antes ouvir o que Hélène tem a dizer”, Antoinette me garante. 

Pago para ver. Hélène se mostra, desde logo, cheia de melindres. Tem a seu lado uma assessora anônima, que lhe passa documentos, pontua os comentários com informações objetivas e, discretamente, me vigia. Discípula de Jacques Lacan, confidente de Michel Foucault e amiga íntima de Jacques Derrida, ela se oferece como uma difícil esperança. 

Pergunto-lhe por que a Europa, agora, se fascina por Clarice. Sem me encarar, como se falasse por obrigação, Hélène Cixous me oferece uma tese bastante original. Para entender o que se passa, me aconselha, devemos primeiro descartar as ilusões da geografia. “A rigor, cada escritor escreve em sua língua particular”, ela diz. “Eu escrevo em Cixous. Clarice escrevia em Lispector.” As fronteiras linguísticas não passam de uma convenção.

Hélène destaca, ainda, as particularidades do português falado no Brasil, que estudou a fundo. “Só em brasileiro se pode escrever uma frase assim: É. Nenhuma outra língua tem esse poder de síntese.” Clarice, que nasceu na Ucrânia e chegou ao Recife ainda pequena, pôde fazer uma escuta diferente do brasileiro. 

Depois, ela me deixa com uma declaração que me parece bastante incômoda: a de que Clarice é o mais importante escritor do século 20. Sua obra, ela diz, só pode ser comparada à de Kafka. Para pensar Clarice, Hélène insiste, Franz Kafka, o sem pátria, é a melhor referência. Clarice terminou de escrever seu segundo livro, O Lustre, em Nápoles. O terceiro, A Cidade Sitiada, foi escrito em Berna. Escreveu muitos contos de Laços de Família durante a temporada que passou em Londres. A Maçã no Escuro foi escrito em Washignton, entre 1953 e 54. Também nela estão nítidas as marcas do desterro. Clarice, a desterrada, habitava o Lispector.

Quando tinha 9 anos de idade, Clarice perdeu a mãe e com isso a voz estrangeira que a habitava. Dizia que seus longos “rrrr” eram um efeito da língua presa. Talvez não fossem apenas isso.

Mas suas dificuldades com a língua eram embaraçosas — e sua grandeza como escritora vem dessa repugnância. Só uma pessoa que não se adapta à língua, que a revira, que dela desconfia pode escrever uma obra como a de Clarice.

 

Reencontro
Curitiba, setembro de 1997. Tomo um ônibus e me sento por acaso ao lado de uma moça que lê G.H. Espreito suas reações. As páginas abertas trazem anotações, garranchos, riscos vermelhos. A lombada está torta e a capa, amassada. O ritmo de leitura é curioso: a moça dá saltos de uma página à seguinte, e de volta à anterior, sem conseguir avançar. Parece imobilizada pelo que lê. Clarice diria: ela é o que ela lê.

A desconhecida que tenho a meu lado, a face caída sobre o livro aberto, vive uma metamorfose. Ela agora é Clarice. Procuro em sua valise, sem achar, as iniciais: “G.H.”. Não é preciso. Andei tanto tempo procurando por Clarice Lispector e agora eu a tenho bem ao meu lado.

Dois mil e vinte: aos 69 anos, volto a olhar para meu velho exemplar de A Paixão Segundo G.H. O tempo e as leituras o roeram, a capa amoleceu e, para salvá-lo, eu o emendei com tiras de fita crepe.

Quatro anos antes, em Cuiabá, como em um novo golpe de feitiçaria, o livro me voltou pela segunda vez. Não o exemplar 0240 — que nunca abandonei —, mas o de número 3203, que ganhei de presente de meu jovem amigo, o poeta Juliano Moreno. 

Em sua dedicatória, Juliano diz: “Feito uma relíquia medieval, este livro aguardava ao acaso na minha estante, esperando. Agora, levo-o ao seu encontro”. O livro, que sempre esteve comigo, mais uma vez volta a mim.

Até hoje, continuo perplexo diante desse segundo retorno. Folheio a obra em busca de alguma pista, algum esboço de explicação.

Até que, no alto da página 135, encontro duas linhas sublinhadas. Dizem: “Eu fora obrigada a entrar no deserto para saber com horror que o deserto é vivo”.

Ouso avançar, um pouco mais, com a frase de Clarice: trêmulo e desamparado, atravessei sozinho o deserto de G.H. para entender, por fim, que o deserto sou eu.

 

JOSÉ CASTELLO é escritor, jornalista e crítico literário. Publicou, entre outros livros, o romance Ribamar (2010), o perfil João Cabral de Melo Neto: O Homem sem Alma (1996) e a biografia Vinicius de Moraes: O Poeta da Paixão (1993). Mantém uma coluna mensal no jornal literário Rascunho.